quarta-feira, 9 de julho de 2014

Original Sin - 81 Capitulo

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Quanto a Henry e Maite, vamos ser práticos. Haviam se apaixonado. Maite preencheu em Henry todo o vazio que havia em sua alma, deixando-o pleno, completo. E Henry mostrou a Maite um sentimento que ela não sabia que existia, apenas havia ouvido falar. Um sentimento que fazia ela pensar nele antes de si própria. Isso era o suficiente pra Henry. Mas não parecia ser pra Maite.

Henry: Se case comigo. – Pediu, exasperado, após passar um bom tempo pensando, na janela.

Maite: Eu... o que? – Perguntou, confusa, olhando-o.

Henry: Se case comigo, Maite. Seja minha esposa. – Pediu, e a decisão parecia completamente agradável saindo de seus lábios.

Maite: Henry, não é assim. – Disse, engolindo o “sim” voraz que lutava pra escapar de seus lábios.

Henry: Não é assim porque você insiste que não. – Retrucou, observando a morena se afastar dele, caminhando pelo quarto.

Maite: Eu sou uma prostituta, Henry. - Disse, virando-se pra ele. Havia dor em sua voz – Sou uma prostituta. Uma mulher de vida fácil. E você... – Ela suspirou, exasperada – Não seria justo. – Se condenou.

Henry: Eu sei o que você é. Eu sei. – Ele deu ênfase ao “eu” – Mas o mundo não. Case-se comigo, e eu lhe levarei embora comigo. Lá ninguém te conhece. Seu passado será passado, e ninguém vai remexe-lo. Será minha mulher, só. – Insistiu, olhando-a.

Maite: Até que alguém me reconheça. Um cliente, talvez. – Rosnou, e Henry viu o olhar dela se inundar. Não queria machuca-la – E então, o que faremos, Henry? Vou ter de me esconder? – Perguntou, metaforicamente. 

Ela viu Henry atravessar o quarto como um raio, e antes que ela pudesse se afastar, ele estava segurando seu rosto, mantendo-a fixada a si. 

Henry: Nunca. Não ao meu lado. Quando você é uma Gomez, ninguém a questiona, ninguém a ameaça. Sendo minha mulher principalmente. – Ela gemeu e tentou se soltar, sem sucesso – Escute, eu sei o que você foi. E eu não me importo. Eu... eu me apaixonei por você, sendo você quem é. Não importa mais. Se case comigo, Maite, e nada mais vai importar. Você vai ser a minha vida, daqui pra frente. 
Maite o encarou por instantes, aturdida. Como podia dizer sim, sabendo de tudo o que já havia feito, de tudo o que ele não merecia? E como dizer não, se cada pedaço do seu corpo queria o contrário?

Maite: Sim. – Murmurou, com a voz embargada. Henry sorriu, aliviado.

Então ele lhe beijou a testa, como sinal de respeito. Um homem normal tentaria leva-la pra cama, mas ele não, ele lhe beijou a testa, como faria com a mais respeitável das mulheres. Ele sorriu, acariciando lhe os cabelos ternamente, mas ela voou pros seus braços, chapando-lhe um belo beijo na boca. Não ia fingir ser o que não era. E aquele foi o primeiro beijo dos dois. O primeiro passo estava pronto: eles se queriam. Agora faltava o segundo. Um talvez mais complicado. Ricardo.

Ricardo: Você vai o que? – Perguntou, incrédulo, olhando Henry.

Henry: Casar. Vou me casar novamente. E desta vez, eu escolhi minha mulher, não o senhor.

Ricardo: Ah, você escolheu. – Repetiu, se levantando – Eu posso saber quem é?

Henry: Maite. Você não a conhece.

Ricardo: Maite. Uma só já não bastou? – Ele riu, e Henry ergueu a sobrancelha – Traga a família dela aqui. Maite... Maite... não me lembro. Qual o sobrenome? – Perguntou, meio confuso.

Henry: Ela não tem família. Você não a conhece, mesmo com seu sobrenome. – O olhar de Ricardo se fechou.

Ricardo: Onde você a encontrou? – Perguntou, desconfiado.

Henry: Na rua. – Ele viu o choque no rosto do pai – Ela só tem a mim. Tenho mentindo-a no Royal, tem pouco mais de um mês. – Explicou ao pai, prevendo a explosão. 

Ricardo: Ah, sim. Você apanhou uma prostituta na rua, e vai se casar com ela? – Debochou.

Henry: Foi. – Ele viu a resolução aparecer no rosto do pai – Eu a amo, papai. A amo mais do que podia pensar. E, por algum mistério, ela retribui.

Ricardo: Você é como Selena. Os dois com essa ridícula obsessão pelo amor. – Ele revirou os olhos – Ela ama ao seu dinheiro, não a você.

Henry: Não quis aceitar nada do que eu lhe dei. Ficou no hotel porque eu lhe forcei. 

Ricardo: Então foi pra ela que você levou os vestidos que Selena e Demetria deixaram pra trás? 

Henry: Foi. – Ricardo rosnou – Ela não queria mais os que eu mandava fazer. Não quis os de Selena também. Só os aceitou porque eu lhe contei que ambas, Selena e Demetria , tiveram suas roupas por presente dos maridos. – Ele sorriu, se lembrando da expressão confusa de Maite. 

Ricardo: Eu não vou permitir! – Rosnou, raivoso.

Henry: Seu tempo de permitir ou proibir já passou. Não vou deixar que tente arruinar minha vida como fez com a de Selena, jogando-a a sorte, lançando-a a Nicholas. – Disse, convicto e furioso – Vou me casar com Maite, vou levar ela embora daqui quando eu voltar pra casa, e você não vai se meter. – Disse, e Ricardo o olhou, aturdido. – Ela virá aqui, em um jantar que você oferecerá, e vamos apresenta-la aos que merecem. Não quero uma festa, mas um jantar, pra apresenta-la a minha família e amigos.

Ricardo: E porque você acredita que eu vou permitir que você a traga pra dentro da minha casa?

Henry rosnou, raivoso. Odiava o modo como Ricardo se referia a Maite. Maite não fazia o tipo de prostituta. Ela era doce, meiga, intuitiva. Era perfeita.

Henry: Quando você vai entender que nós não tivemos culpa com o que aconteceu a mamãe? – Ele viu o choque nos olhos do pai – Nós não a matamos. Nós sofremos por sua falta. Éramos crianças, e precisávamos de sua ajuda. Mas você foi covarde... – Interrompido.

Ricardo: NÃO SE ATREVA! – Rugiu, virando-se pro filho. Os gritos dos dois ecoaram pelas paredes da mansão Gomez.

Henry: FOI UM COVARDE! – Rugiu de volta, colérico – SE TRANCOU EM SEU CASULO, SEM SE IMPORTAR COM O QUE NÓS ESTAVAMOS PASSANDO! VOCÊ TEM NOÇÃO DE QUANTAS NOITES DEMETRIA ACORDOU AOS GRITOS, ASSUSTADA, TENDO PESADELOS? SABE QUE TODAS ESSAS NOITES FUI EU QUE FUI CONSOLA-LA? SABE QUE SELENA CHAMAVA PELA NOSSA MÃE ENQUANTO DORMIA? QUE CHORAVA ANTES DE PEGAR NO SONO? – Ele arfou de ódio – Não, você não sabe. Você não se importou em saber que Demetria tinha pavor de raios. Não se importou em saber que eu tinha que dormir com ela e com Selena a cada tempestade, porque o vento assustava Selena e Demetria perdia a voz pelos raios. Você não se só se importou com a sua dor. – Disse, amargo.

Ricardo: Você não entende... – Interrompido

Henry: Eu entendo, sim! Eu perdi Maite, ela morreu nos meus braços, e eu senti sua dor. Não foi por isso que eu sai esmagando e oprimindo tudo a minha volta. – Condenou – E depois, como se não fosse o suficiente, depois que fui embora, você jogou Demetria aos braços de Joseph. Você não deve ter visto as lágrimas assustadas dela no altar, provavelmente não, mas eu vi. – Rosnou – E então, fez o que pai nenhum faria, amando a filha. Entregou Selena a Nicholas. Nicholas, papai! Todos o temiam. E você não hesitou a entrega-la a ele, não importa, era um Jonas. Ela apanhou dele, sofreu humilhações, dor, quase morreu. Você não se importou. Ele é um Jonas, ele pode machucar ela. Você não se importou em ir ver Selena quando Rosalie nasceu, nem a Demetria, com Victoria e Diego. 

Ricardo andou pela sala, queria expulsar o que Henry dizia de sua cabeça, mas ele não parava.

Henry: Você não moveu uma palha quando Diego foi sequestrado. Não se importou com o sofrimento de Demetria. – Ele respirou fundo – Você não sabe, mas Victoria tem os cabelinhos castanhos avermelhados. Todos acham que vai ser ruiva, tal como Demetria. Não sabe que os olhos de Rosalie são da cor de esmeraldas, idênticos aos do pai, porque você nunca se deu ao trabalho de olha-la. 

Ricardo: Eu amava sua mãe. – Disse, mortificado, olhando a chuva pela janela – Eu amava sua mãe mais que tudo nesse mundo. Foi injusto o jeito como foi tomada de mim.

Henry: A vida é injusta. E ainda mais injusto, foi injusto o modo como você nos isolou. Como se nós tivéssemos posto a doença dentro dela. Foi cruel. Anos depois, possivelmente, ainda culpa seus netos por isso. – Ele respirou fundo – Mas Joseph é ideal pra Demetria. Selena conseguiu vencer o monstro que é Nicholas, hoje se amam. E a mim... – Ele riu – Eu não vou permitir que me sacrifique. Era uma prostituta? Sim, era! Mas agora é minha mulher. Vai ser a mãe dos meus filhos, um dia. Filhos esses que eu não vou permitir que você toque, se continuar agindo como age. Tratei Maite aqui, e ela vai ser tratada como a mais fina senhora. Teremos sérios problemas se for do contrário. – Ele respirou fundo – Tenha uma boa noite, papai.

Henry saiu com pisadas fortes, deixando Ricardo afogado em suas lembranças. Se Dulce não tivesse morrido, tudo seria diferente. Mas ela se fora. Todos iam. Ele suspirou e se sentou, pensando em tudo o que havia feito, lembrando dos gritinhos assustados de Demetria ecoando pela madrugada, e pelos soluços de Selena. Sim, ele os ouvira, mas nada fizera. Se ele podia sofrer, porque os outros não? Por fim, se levantou, deixou o copo que carregava na mesa ao lado e foi se recolher. Deixemos Maite vir, e vejamos o que vai dar.

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Creditos: Samilla Dias

2 comentários:

  1. Amei! Henry falou tudo!!
    Eu amo essa história
    Posta mais!

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  2. Adorei o Capitulo. Poste logo!! Bjs

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