sábado, 25 de outubro de 2014

XLI - Amor Obscuro

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– O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI? - Nicholas rosna, já se levantando da cama.
Oh Deus! Agora a coisa vai ficar feia. Que Taylor chegue logo dessa vez. Repito esse mantra em minha cabeça sem parar.
– Lincoln, o que você faz aqui ? - Pergunto fracamente.
– Eu fiquei sabendo o que houve e vim o mais depressa possível. - Diz tudo em um sopro só. – Você está bem, Selly ? -
– E como você ficou sabendo disso ? - Nicholas rosna, prestes a avançar em Linc.
De repente, Linc muda sua postura, e com sua frieza se vira para olhar Nicholas.
– Estava com Paul, quando Denize informou o que houve. - Responde com seu olhar glacial, fazendo-me gelar da cabeça aos pés. Em seguida se vira para mim e a preocupação volta a se acender em seus olhos. – Você está bem, minha menina ? - Pergunta novamente, para o meu completo espanto. Porque dessa preocupação toda ?
– NÃO SE ATREVA A CHAMA-LA ASSIM! - Nicholas grita e, como um furacão, avança em Linc, dando-lhe um soco no rosto.
– Nicholas... - Minha voz sai como um sussurro, tamanho é o meu espanto.
Tudo acontece muito rápido. Linc lhe devolve o soco, que pega em sua boca e tudo vira um caos. Levanto da cama rapidamente, ignorando meu corpo dolorido, que reclama sem parar, e, quando estou prestes a entrar no meio dos dois para apartar a briga, Taylor se materializa no quarto e os separa, sem ao menos tocar em Nicholas e imobilizando Linc. Entro na frente de Nicholas, quando vejo-o se aproximar de Linc e ele para.
– Nicholas, para! Por favor.. - Peço, horrorizada com a cena instalada em meu quarto. – Baby, por favor.. - Levanto as mãos para tocá-lo, olhando-o nos olhos.
Subitamente sinto uma vontade de chorar ao ver seu rosto tensionado, o maxilar cerrado, pronto para a batalha. Ele tenta passar por mim, mas assim que seus olhos se abaixam parando na altura do meu pulso lesionado, fica imóvil. Seus olhos se arregalam e pouco a pouco seu semblante volta ao normal. Quando vejo que ele está mais calmo, viro de frente para Linc e com isso Taylor o solta.
– Lincoln, desculpe se estou sendo grosseira, mas.. por favor, vai embora. - Peço.
Ele arregala os olhos por uma fração de segundos, os direcionando para Nicholas, mas logo se recupera. Engole em seco e vejo que tenta ao máximo se manter calmo.
– Primeiro me diz se você está bem ?
– Ela estava antes de você aparecer, seu babaca. - Nicholas rosna.
– Sim, eu estou bem. Obrigada pela preocupação. Agora por favor, vai embora. - Peço.
– Claro. Se precisar de qualquer coisa, não ouse em me avisar.
– Ela não precisa de nada que venha de você! - Nicholas rosna mais uma vez e viro meu rosto para olhá-lo.
– Nicholas! - Repreendo-o. Como resposta, ele cerra o maxilar e me lança seu mais temido olhar.
– Está tudo bem, Selly ? - A voz preocupada de Linc me faz voltar o rosto para ele.
– Sim, está.
Linc me olha por um instante e, franze o cenho, quando seu olhar para em Nicholas. Ele se endireita, levanta a cabeça, lança um último olhar desafiador para Nicholas e então sai, com Taylor em seu encalço. Solto a respiração, que nem sabia que estava prendendo e viro-me para Nicholas. Este se encontra na mais terrível e assombrada versão Nicholas Jonas, que eu poderia ver. Solto um longo suspiro e me aproximo dele lentamente.
– Você está bem ? - Levo uma mão até o machucando no canto de sua boca. – Precisamos colocar gelo nisso. - Levanto meu olhar à tempo de pegar o seu. – Brigando feito um moleque.. Que bonito, senhor Jonas! - Nicholas estreita os olhos, mas logo um sorriso se abre no canto de sua boca ao perceber o escárnio em minha voz. – Vem.. vamos colocar algo nesse ferimento. - Puxo-o pela mão, indo em direção a porta, mas ele logo me puxa de volta.
– Não, baby. Deixe que eu faço isso. Você precisa descansar. Ainda não esqueci o que houve com você. - Diz e gelo ao me lembrar dos últimos ocorridos. – Desculpe! Eu não queria .. - Diz desesperado ao notar minha expressão.
– Tudo bem... - Respiro fundo e tento abrir um sorriso para descontrair. – Agora quem está precisando de cuidados é o senhor. - Desconverso e o puxo novamente pela mão.
Dessa vez ele não hesita e me acompanha. Pego um saco de ervilhas no congelador ao chegar na cozinha e coloco como compressa em cima do machucado de Nicholas. O silêncio que flui entre nós dois, de repente, é ensurdecedor. Seu olhos fixados em mim me deixam mais nervosa. Posso ver as engrenagens de seus pensamentos rodando em sua cabeça e isso não é nada bom. Sei o que está pensando. Sei que precisamos falar de sua briga com Lincoln, mas não tenho coragem de pronunciar uma palavra sobre esse assunto. A dor em meu corpo aumenta e levo minha mão à cabeça ao sentir um latejo, de repente.
– Vou deitar. - Informo e saio antes dele abrir a boca.
Assim que entro no quarto, fecho a porta atrás de mim e pulo em minha cama, me cubrindo com o edredom em seguida. O que será que Linc tem na cabeça para vir aqui ? E o mais suspeito é, porque de tanta preocupação? Saio de meu interrogatório mental ao ouvir a porta se abrir e direciono meus olhos para a mesma. Vejo Nicholas adentrar o quarto e se aproximar da cama com uma bandeja em mãos.
– Trouxe a comida e os remédios que Taylor deixou em cima da bancada. - Informa ao ver minha testa franzida.
– Não estou com fome.
– Mas vai comer mesmo assim. - Diz com o cenho franzido. Permaneço deitada e ele me lança um olhar – Não comece, Selena. - Bufo e me sento na cama. Ele coloca a bandeja em meu colo e desembrulha algo que vulgo ser a comida. Logo um prato de sopa se materializa em minha frente. Depois ele pega o copo de suco que há na bandeja e estende para mim. – Primeiro tome esses remédios. - Me entrega alguns comprimidos e tomo tudo em um instante. – Agora coma. E sem reclamar. - Diz ao perceber meu olhar de negação.
Mantenho o contato visual com ele, na esperança de que desista, mas quem desiste sou eu. Derrotada e sob os olhares atento de Nicholas, começo a comer a sopa, que por sinal está deliciosa, mas não sinto fome alguma.
– Está uma delícia. - Digo e ofereço uma colherada a Nicholas, que recusa de cabeça. – Não sabe o que está perdendo. - Digo.
– Eu sei o que você está fazendo, Selena. E eu não irei comer a comida por você.
Abaixo meu olhar até minha sopa e, depois de um suspiro frustrado, continuo a comer. Pego algumas torradas que há de acompanhamento, molho-as na sopa e engulo rapidamente. Desisto de comer depois de mais três colheradas. Não tenho fome. Não consigo engolir mais nada.
– Chega! Não consigo engolir mais nada. - Digo ao descansar a colher no prato.
– Selena...
– Nicholas! - O interrompo ao ver seu olhar irritado. – Será que eu posso ficar um pouco sozinha ? - Peço e ele arregala os olhos. Sua expressão de completo horror me assusta. Oh, Deus! Será que eu falei alguma besteira?
– Quer ficar sozinha? - Sua voz sai em um sussurro sofrido. – Não me quer por perto ?
– O quê? Não... Eu não quis dizer isso. - Digo atônita com sua percepção. Suspiro diante do seu rosto contorcido em angústia. – Baby, senta aqui.. - Bato no colchão ao meu lado e ele o faz, depois de retirar a bandeja do meu colo. – É claro que eu te quero por perto. - Me viro um pouco para olhá-lo nos olhos. – Eu só não quero ficar brigando, sabe ... - Encolho os ombros. – E também, eu preciso pensar um pouco... - Paro ao vê-lo fechar o cenho.
– Pensar no Linc, não é ? - Rosna.
– Nicholas..
– Responda, Selena!
– Não é o que você está pensando.
– Ah, mas é claro que é. E já vou logo avisando: Você virá morar comigo! - Abro a boca para contestar, mas ele me impede, colocando um dedo sobre meus lábios. – Esse prédio não tem nenhuma segurança. Linc entrou sem ser anunciado e eu não quero que isso se repita. Não quero suas visitas rotineiras, ok ? - Diz irritado.
– Por que você tem tanta raiva dele se foi você quem errou primeiro ?
– Por isso mesmo. Ele não está atrás de você só para ser amiguinho.
– E se for só por isso mesmo ?
– Por Deus, Selena! Você não é tão ingênua assim..
– Estou só supondo. E se for só por amizade mesmo ? - Ele leva as mãos até seus cabelos, bagunçando-os em um ato exasperado. Fecha os olhos e, quando os abre novamente, me lança um olhar gélido.
– Eu não quero você perto dele. - Diz pausadamente.
– Porque não? Por mais estranho que pareça, eu não acho que ele queira algo além de amizade.
– Chega! Eu não quero você perto dele e pronto. - Ordena em voz alta.
– Mas...
– Será que você não ver que ele só quer se vingar de mim, roubando o que tenho de mais precioso na vida ? - Paro ao ouvir essa última frase. Sinto o nó se formar em minha garganta.
– Repete ? - Digo num fio de voz e sorrio feito uma boba.
Ele pega meu rosto entre suas mãos, aproxima seu rosto do meu e olha-me profundamente nos olhos.
– Selena, você é o bem mais precioso da minha vida e eu não vou deixar que filho da puta nenhum roube isso de mim. - Diz com sinceridade emanando de sua voz.
– Oh, baby! - Dou um selinho em seus lábios. – Ninguém tem essa capacidade. - O abraço apertado, acariciando suas costas. – Nunca se esqueça disso. Nada, nem ninguém irá me tirar de você. - Sinto-o respirar pesadamente e me agarrar com mais força.
– Ele já está conseguindo o que quer.
– O quê ? - Pergunto confusa.
– Está conseguindo fazer com que briguemos.
Me afasto um pouco para olhá-lo nos olhos.
– Tem razão.. não vamos brigar mais por isso, ok? - Ele assente de cabeça. Dou um beijo casto em seus lábios. – Mas já vou avisando: não irei morar com você e ponto.
– Ah, vai sim. Você vai ver.
– Não vou. - Me deito novamente na cama e ele me cobre com o edredom. Tento reprimir um bocejo, mas Nicholas parece perceber.
– Durma, baby! - Beija minha testa e em seguida meus lábios. – Tenha uma boa noite de sono. - Se agacha ao lado da cama e acaricia minha cabeça.
– Eu não estou com sono.
– Não minta para mim, Selena.
Não quero dormir! Se eu dormir, tenho certeza que será como antigamente. Meus pesadelos serão horríveis, cada vez mais real. Tento mudar de assunto, mas Nicholas insiste para que eu durma.
– Então deita comigo. - Me afasto para o lado e ele me olha cético. – Por favor...
– Sua cama é pequena para nós dois.
– Você já dormiu aqui antes. - Sorrio com as lembranças.
– Mas hoje você precisa de espaço e eu não quero te machucar, Selena.
– Você não vai me machucar.. - Faço beicinho, mas ele continua resistente. Desliza o olhar pelo meu corpo e nega com a cabeça, voltando a olhar em meus olhos em seguida. Droga! Porque será que está com tanto medo de me tocar? Será que está com nojo de mim? Oh, Não! Isso não. – Está com nojo de mim, baby ? - Pergunto num fio de voz. Seus olhos se alargam de tal maneira que chega a me assustar.
– Cristo! Não, Selena. Jamais terei nojo de você. - Diz, praticamente horrorizado. Permaneço a olhá-lo com ceticismo. Porque então não se deita? Com sua estranha habilidade de ler meus pensamentos, Nicholas bufa e se deita, preenchendo o lugar vago ao meu lado. – Vem cá, baby.. - Envolve minha cintura com seus braços, de modo que ficamos de frente um para o outro. – Agora dorme. - Levo uma mão até seus cabelos e os acaricio.
– Eu prefiro te olhar. - Sorrio e logo o seu sorriso se abre.
– Que bom saber disso, mas agora prefiro que você durma. - Insiste. Permaneço calada, diante de seu olhar inquisidor. Segundos depois ele aproxima o rosto do meu e sussurra: – Eu sei que você está com sono. Porque não quer dormir ? - Continuo a olhar para ele, sem emitir uma palavra se quer. O silêncio se apossa de nós dois e seguro firme para não fechar minhas pálpebras. O efeito do remédio já começa a dar indícios. De repente, minha atenção se volta para as sobrancelhas franzidas de Nicholas. Me estômago se contrai, logo que seus olhos se arregalam gradativamente. – Pesadelos! - A palavra sai de sua boca como uma enorme constatação.
– O quê ?
– Na primeira noite em que eu dormi aqui, você teve um pesadelo. Foi logo depois que inauguramos a minha sala de jogos. Claro... Agora tudo faz sentido! Minha sala de jogos fazia você se lembrar do seu trauma. Você teve pesadelos e agora está com medo de dormir depois de ... - Ele para de falar ao ver a confirmação em meu rosto. – Oh baby, eu não vou permitir que você tenha pesadelos. - Sorrio com seu jeito fofo. Jonas, no seu modo fofo é uma coisa rara de se ver. Sei que fala a verdade. Ele faria de tudo para que eu não tivesse um minuto se quer de dor, principalmente pesadelos.
– Eu sei disso, meu amor.
– Então dorme.
– Ai, como você gosta de mandar. - Digo com falsa reclamação, arrancando-nos sorrisos.
– Eu prefiro o termo ''ter controle sobre você''. E agora terei, mas do que nunca. - Paro de sorri.
– O-ou, eu não gostei disso. - Franzo minha testa.
– Eu sei.. Agora durma! - Finaliza o assunto, me puxando mais para si, deitando minha cabeça em seu peitoral.
– Mas..
– Sem mais, Selena. - Começa a acariciar minhas costas e assim não resisto mais, me deixo levar pelo efeito dos remédios e caio em um sono profundo. 


{...}


– Selly. - Ouço a voz de Nicholas me chamar.
– Hum.. - Resmungo ainda de olhos fechados.
– Acorda, baby. Já está tarde. - Um arrepio passa por minha espinha ao sentir os lábios de Nicholas em minha orelha, deixando um rastro de beijos por onde passa.
– Que horas são ? - Resmungo sonolenta.
– Já são 11hrs30 da manhã. Venha. - Não respondo e puxo o edredom até minha cabeça, tapando-me toda. Logo sinto um clarão em meu rosto, em sequência do puxão que Nicholas dá ao me descobrir.
– Eiii! - Reclamo e puxo o edredom de volta. – Me deixa dormir! - Ele puxa o edredom novamente e lanço um olhar furioso para ele.
– Levante! Tem gente à sua espera lá fora. - Me olha impassível.
– Quem ? - Pergunto confusa.
– Sou eu, meu amor. - Direciono meu olhar para a voz que vem da porta e logo as lágrimas brotam em meus olhos.
– Mãe. - Minha voz sai em um sussurro fraco.
– Oh, meu bebê. - Minha mãe se aproxima a passos largos, se jogando na cama em que estou e me abraça forte. Com isso, não seguro mais e irrompo em lágrimas e soluços audíveis. – Eu... eu... - Ela se cala e acaricia lentamente minhas costas.
Permanecemos assim por um longo tempo, até que meus soluços se dissolvem, juntamente com o choro. Me afasto um pouco e seco meus olhos com as mãos para vê-la melhor.
– Como você ficou sabendo ? - Pergunto ao notar que, apesar de tudo, eu não tinha ligado para ela.
– Bem, na verdade eu tomei um susto com um homem batendo em minha porta e informando ser da parte do senhor Jonas e que eu precisaria vir à Seattle com urgência. Imediatamente, você veio em minha mente e sem hesitar eu o acompanhei depois que ele pronunciou seu nome. Eu enlouqueci a cada minuto na vinda para cá. Quando pousamos no aeroporto, o tal senhor Jonas me esperava. Ele se apresentou como seu namorado e no caminho para cá ele me contou o que houve. - Olho para o lado, à procura de Nicholas e percebo que estamos sozinhas no quarto. Nicholas deve ter saído, enquanto eu praticamente desabava no colo da minha mãe. – Porque você escondeu que estava namorando ? Porque você não me ligou depois do que houve ? Porque escondeu isso de mim, filha ? - Ao voltar meu olhar para ela, noto uma mágoa nítida em seus olhos.
Abaixo a cabeça, me sentindo a pior pessoa do mundo. Como pude esconder o namoro com Nicholas de minha própria mãe ? Ela que sempre esteve comigo. Esfrego meu rosto com as mãos, fungando sem parar e volto a olhar para ela.
– Desculpa por não ter contado sobre Nicholas... Eu sei que eu errei e errei feito, mas é que.. é complicado. Eu.. eu .. - Me calo e espero alguma reação de sua parte. Ela me olha por um longo tempo parecendo avaliar-me, mas um sorriso brota no canto de seus lábios.
– Ele parece te amar muito. - Me encontro sorrindo como uma boba de repente.
– Eu sei. E eu também o amo muito..
– Oh, meu bebê está amando. - Diz emocionada e me abraça.
– Eu não sou mais um bebê, mãe. - Reclamo, sem deixar de sorrir.
Ela me chama assim desde que eu nasci e, apesar de eu lutar muito para ela parar com isso, sei que é inevitável.
– Eu vejo. Já está até namorando. - Diz em tom conspiratório e sorrio. Ela se afasta na distância de um braço, pega meu rosto em suas mãos e me olha nos olhos. – Mas, para mim sempre será meu bebê. - Diz resignada. Ela e Nicholas com essa mania. Eu não posso com esse dois mesmo.
Nos olhamos nos olhos por um longo tempo. Sei do que ela quer falar, mas sei também que está receosa. Parecendo perceber minha descoberta, Mandy balança os cabelos, abre mais um pouco o sorriso e começa a tagarelar, como sempre faz quando está nervosa. – Ah, seu pai está aí fora. Está louco para te ver. - Acho que o tamanho de meus olhos devem ter assustando-a, pois saiu correndo do quarto e voltou com Ricardo ao seu lado.
– Selzinha. - Ricardo brada.
Se aproximando de mim rapidamente, ele me abraça apertado, pegando-me completamente de surpresa. Percebo que sua aflição se dissipa um pouco assim que sua respiração sai pesadamente. Fecho meus olhos e aproveito da sensação que me toma de repente. Que saudade que estava de meus pais. Momentos depois, abro meus olhos com um sorriso bobo nos lábios e encontro o olhar emocionado de minha mãe. Me afasto um pouco para olhar para um dos homem que mais amo na vida.
– Pai. - Pego seu rosto em minhas mãos.
– Filha! - Ele encosta sua testa na minha. – Meus Deus, o que fizeram com minha garotinha... - Diz emocionado.
– Eu estou bem, pai.
Ele se afasta e me avalia com seus olhos expert de ex militar. Sorrio com seu gesto e pelo canto de olho, vejo que minha mãe também sorri.
– Ela está bem, Ricardo. Ela é forte! Ela é a nossa filha, esqueceu ? - Diz sorridente.
Sei que fala isso para apartar a angústia de Ricardo.
– Eu sei que ela é. Nossa filha é guerreira! Mas... um pai se preocupa com a própria filha. Ou será que nem isso eu posso mais ? -  resmunga, arrancando-nos sorrisos e beija minha testa ao se afastar um pouco. Minha mãe retruca e tento intervir, antes que eles briguem por minha causa.
– Ai, parem vocês dois né. - Faço bico, mas logo o desfaço quando meus olhos param em Nicholas, encostado na soleira da porta. Sorrio para ele em agradecimento. Até agora não acredito que ele foi capaz disso por mim. Ele corresponde o sorriso, só que o seu saindo timidamente. Meus pais parecem perceber nossa conexão, pois viram seus rostos na direção onde estou a olhar.
– Entre, Nicholas. - Minha mãe o chama e ele nega com a cabeça.
Ela bufa e vai até ele, o puxando para dentro do quarto em seguida. É, Jonas.. Com essa daí você não tem vez. Sorrio com meu pensamento e logo a conversa flui entre nós. Nicholas senta ao meu lado na cama, enquanto minha mãe senta-se a nossa frente. Meu pai permanece de pé, ao lado da cama. Apesar de me distrair um pouco com as conversas de minha mãe, não perco os olhares intimidantes que Ricardo lança à Nicholas. Este por sua vez, continua impassível, escondendo suas emoções assim como faz com todos. Momentos depois, minha mãe propõe fazer o almoço e, apesar de Nicholas querer pedir o almoço em um restaurante, ela sai do quarto avisando-nos que irá ao mercado, levando meu pai a tira colo consigo. Nicholas se vira para mim assim que ficamos a sós.
– É, sua mãe e bem... - Ele para e me olha com cautela. – Determinada. - Completa. Sorrio com esse fato.
– É, ela é assim mesmo.
– Você puxou isso dela. - Sorri.
– Só um pouco. Acho que ela parece ser mais mãe da Demi do que minha. - Solto uma risada e ele me acompanha.
– Falando em sua amiga, ela virá com minha familia mais tarde. Estão loucos para saber se você está bem. - Diz. Levo uma mão até seu rosto e o acaricio ternamente.
– Obrigada por ser esse homem maravilhoso para mim. - Aproximo meu rosto do seu, esfrego nossos narizes e sorrio, olhando-o nos olhos. – Não sei o que faria sem você. - Puxo seu rosto para um beijo lento e amoroso. Sinto meu coração palpitar assim que ele enlaça sua língua na minha, mas logo o som da campainha nos interrompe.
– Merda! - Nicholas grunhi ao separar os lábios dos meus. – Eu vou matar o infeliz que está a nos interromper. - Sorrio.
– Vai atender a porta. Enquanto isso vou me arrumar um pouco. - Me levanto da cama e sigo para o banheiro.
Paro em frente ao espelho e gelo quando meus olhos grudam no mesmo. Estou um horror completo. Meu pulso está enfaixado. Há uma mancha roxa no lado direito do meu rosto, perto da boca; um pequeno hematoma em minha maçã do rosto, abaixo do olho direito. Respiro fundo e começo a me despir. Fico mais horrorizada a cada mancha que aparece em meu corpo, assim que descubro uma camada de pele. Há pequenas manchas arroxeada, umas um pouco esverdeada já. Devem ser dá pancada que levei ao rolar as escadas.
Fecho meus olhos com firmeza, reprimindo uma lágrima. Porque isso sempre tem que acontecer ? Não desejo isso para ninguém, mas... porque comigo? Odeio essa sensação de impotência, de nojo, essa sensação que toma nossa mente, sentir-se violada. Aquele desgraçado! Ele tem que pagar por isso. E graças ao Jack, não houve dano maior. Não quero nem pensar o que seria de mim se ele concretizasse seu desejo. Se acontecesse tudo de novo. -Esquece isso, Selena! Você é forte!– Meu subconsciente dá as caras, mas dessa vez a meu favor.
Abro meus olhos e encaro meu reflexo no espelho. Palavras ditas por meus pais a poucas horas atrás rondam minha mente. A nossa filha é forte! Nossa filha é guerreira! Sorrio com a emoção em meu peito em ter meus pais e Nicholas próximos. Nicholas, o amor da minha vida. O cara que não saiu do meu lado hora nenhuma. Que trouxe meus pais, mesmo sem os conhecê-los. E apesar de sua cara impassível, sei que deve está apavorado com essa situação, já que nunca teve uma namorada. Nunca teve que lidar com isso antes. Eu realmente não sei o que fiz de tão bom para merecer um amor assim. Apoio meus punhos cerrados em cima da bancada e aproximo mais do espelho.
– Sim, eu sou forte! – Digo pra o meu reflexo. – E por vocês, superarei mais esse capítulo de minha vida. - Sorrio confiante e começo a escovar meus dentes. 

Saio de frente do espelho, quando noto a determinação em minha voz e entro no box. Começo meu banho tranquilamente, sorridente por ter meus amores a minha cerca. Me visto assim que saio do banho e, quando estou saindo do closet, ouço a voz exaltada de Nicholas vindo da sala. 


Assim que chego na sala, paro ao ver Jack pálido, com um buquê de flores nas mãos, encarando Nicholas.
– O que está acontecendo aqui ? - Falo, chamando a atenção dos dois para mim.
– Selly! Você está bem meu anjinho? - Jack irrompe a sala, vindo até a mim.
– Estou sim. - Falo enquanto ele me abraça várias vezes, dando beijinhos em meu rosto.
– Trouxe isso para você, gata. - Ele estende o buquê de rosas brancas para mim e o pego com carinho.
– Obrigada. - Sorrio em agradecimento. Pelo canto de olho vejo Nicholas bufando, à ponto de explodir.
– Bem, Selena eu vim aqui ver como você está e te dizer que não se preocupe com nada. Pode ficar em casa o tempo que precisar...
– ELA NÃO IRÁ VOLTAR PARA ESSA MERDA DE EDITORA TÃO CEDO. - O grito que Nicholas dá faz nós dois tremer. – Se era só isso que veio falar, já pode rir. - Completa, com nítida arrogância.
– O quê ? Como não ? - Jack arregala os olhos para mim. – Selly, eu preciso de você comigo. Eu sei..
– Dane-se o que você precisa! - Nicholas o interrompe novamente.
– Mas..
– Já disse. Agora FORA DAQUI!
– Nicholas! Pare de gritar.. - O repreendo, lançando um olhar de reprovação. Volto meu olhar para Jack, que está em estado de choque. – Continue a falar, Jack..
– Selena, eu sei que o que você sofreu foi horrível e só de lembrar o que fizeram com você, docinho, tenho vontade de esganar o infeliz. Mas.. mas eu preciso de você na editora. - Sua última frase sai como um sussurro desesperado.
– Jack, eu não sei ainda... Tenho que pensar um pouco. - Falo com incerteza e ele bufa.
– Eu não aceito sua demissão, docinho. Eu estarei de partida para a Nova York daqui um mês....
– O quê ? - Dessa vez sou eu que interrompo-o.
– Estou sendo transferido para a filial que a SIP está abrindo na cidade e...
– E?
– E eu pensei em você para ocupar o meu cargo aqui em Seattle.
– Como assim ? Não, eu não posso.. não tenho experiência para isso. - Falo entrando em pânico. Ele agarra-me pelos braços, puxando minha atenção de volta para si.
– Hey, não precisa me dar a resposta agora, docinho. Se quiser, tire essa semana para você e quando você voltar a gente conversa, ok ? Você é uma menina talentosa, Selena. Vejo seu trabalho e seu esforço. - Seu sorriso sincero faz com que eu assinta de cabeça. – Bem, agora vou deixar você com seu macho alfa. Menina sortuda, que homem mais belo e furioso você tem. - Sussurra só para mim ouvir e reprimo uma gargalhada.
Agora não tenho mais dúvida de que Jack é gay. Tudo bem que quando nos encontramos para a happy hour uma vez, ele estava todo afeminado, jogando mãozinhas para tudo que é lado, mas falar da beleza de um homem... Isso é novo para mim. Que estranho! Ele beija minha testa, sob os profundos suspiro irritados de Nicholas, e se vira para ir embora, mas antes para diante do meu amado controlador.
– Calminha, bonitão! O senhor está muito estressado. Está precisando de um pouco mais de diversão. - Pisca para um Nicholas embasbacado e segue para a porta.
Nicholas fecha a porta a trás dele e se vira para mim.
– Devo ficar com ciúmes? - Cruzo os braços na altura de meus peitos e franzo o cenho, tentando parecer o mais séria possível.
Pela primeira vez, vejo Nicholas totalmente sem graça. Não consigo mais me conter e solto uma enorme gargalhada, de jogar a cabeça para trás. Ele abaixa o olhar, se aproxima de mim e para na minha frente.
– Não tem graça. - Diz.
– Ah, tem sim... Na verdade não sei se devo rir ou me enfurecer com esse pequeno flerte. - Digo entre risos. – Garanhão. - Dessa vez ele abre um sorrisinho de canto.
Sigo para o interfone logo que ele começa a tocar.
– Entrega para a senhorita Gomez - Diz o homem do outro lado da linha.
Libero sua entrada e logo um entregador com um enorme buquê de girassóis está parado no vão de minha porta. Assino o papel de entrega e pego o buquê, fechando a porta atrás de mim.
– De quem é isso ? - Nicholas pergunta com a sobrancelha levemente franzida.
Dou de ombros e pego o cartão, posto no meio das flores.

"Para minha doce menina. 
Espero que esteja bem melhor hoje.
Com carinho..
Lincoln Timber ''




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Creditos Angel 


sexta-feira, 24 de outubro de 2014

XLII - Amor Obscuro

| | Um comentário:

– Quem mandou as flores, Selena? - A voz de Nicholas me tira do meu transe. Olho para ele, respiro lentamente e tento agir normalmente.
– Ninguém importante. - Dou de ombros e coloco as flores com o cartão em cima da mesinha de centro.
Ele me olha com certo ceticismo e logo dou um jeito de afastá-lo de suas desconfianças. Caminho até ele e o beijo lentamente nos lábios. Ele permanece estático, fazendo o nervosismo dentro de mim crescer com mais frequência, mas logo depois abre mais a boca para aceitar meu beijo.
– Acho que meus pais vão demorar na rua. - Digo assim que nossas bocas se separam um pouco. – E eu acho isso até bom, porque .. - Paro para medir minhas palavras e sorrio ao ver que ele espera atentamente minhas palavras.
– Porque ..
– Porque preciso te avisar que minha mãe e a cozinha não são muito amigas, sabe.. E se você pretende comer algo bem gostoso, é melhor deixar para outra hora. - Falo em tom conspiratório e sorrimos uma para o outro.
– O que você quer fazer ?
– Qualquer coisa. - Dou de ombros e ele me olha por uma fração de segundos.
– Bem... - Para e solta um suspiro. – Eu pensei em sairmos. Esperar seus pais chegarem e sairmos os quatros. Almoçaremos e depois passearemos pela cidade, que tal ?
– Hum.... eu prefiro ficar em casa. - Sigo para o sofá, me sentando sobre meus calcanhares e ele logo senta ao meu lado. Nicholas abre a boca para falar algo, mas para ao ouvir o interfone tocar.
– Merda! Quem será dessa vez ? - Levanto-me para atendê-lo. – Sim ?
– Sell, sou eu seu pai. É que a sua mãe esqueceu te pedir a chave antes de sair. - Meu pai diz do outro lado da linha. Sorrio com a voz de minha mãe resmungando ao seu lado.
– Tudo bem, vou liberar a entrada. - Aperto o botão no aparelho e coloco o telefone na base.
Assim que viro para Nicholas, franzo a testa em confusão ao encontrá-lo com o semblante irritado, olhando em minha direção. O que houve agora? Percorro meus olhos por ele, procurando algum indício de sua mudança de humor e gelo ao ver o cartão das flores em sua mão. Oh, não!
– Porque você insiste em mentir para mim ? - Fala com seu tom de voz mais frio possível.
– Porque eu não quero brigar mais. - Digo com sinceridade.
– Não quer ? E continua a aceitar esse cara na sua vida! - Berra.
– Nicholas ...
– Merda, Selena! Será que é difícil para você fazer algo por mim ? - Me interrompe bruscamente.
Quando abro a boca para responder, a porta se abre, revelando minha mãe e meu pai, ambos sorridentes.
– Ah, vocês estão aí. - Minha mãe se aproxima, com seu costumeiro sorriso nos lábios. – Ricardo, coloque as coisas na cozinha, que já irei fazer o almoço. - Ordena ao meu pobre pai, que se encontra cheio de sacolas. Espero até que ele se sente na bancada, um pouco distante de nós e viro para Nicholas e minha mãe.
– Com licença. - Nicholas deixa o cartão em cima da mesinha e sai em disparado para meu quarto.
– O que houve ? - Minha mãe pergunta levemente intrigada.
– Nada. - Dou de ombros e ela me lança seu olhar inquisidor.
Sabendo como as coisas vão terminar, pois já conheço esse olhar parecido com o que Demi me lança ás vezes, resolvo ser sincera com ela.
– Ele está com raiva por causa das flores. - Falo baixo, para que meu pai não escute.
Ela estreita os olhos e começa a inspecionar a sala, parando seus olhos no buquê.
– Oh, sim... - Ela para de falar e parece refletir sobre algo bom, pois abre um sorriso nostálgico. Instantes depois seu sorriso murcha, dando lugar para um leve tristeza e se volta para mim. – De quem são ?
– Um amigo. - Dou de ombros.
– Um amigo .... é por isso que Nicholas está com ciúmes. - Diz sorridente.
– Também.
– Como assim ''também'' ?
Reviro meus olhos e bufo em exaustão. Essa merda toda sobre Linc já está começando a me cansar. Pelo canto de olho, vejo que meu pai está perdido lendo um jornal qualquer. Esfrego meu rosto com as duas mãos e começo a despejar tudo em cima dela.
– É que Nicholas acha que esse cara vai me fazer mal para se vingar dele. Eles não se dão muito bem, na verdade Nicholas o odeia e tem essa paranoia. Mas eu não sei sabe ... não acho que Lincoln irá me fazer...
– QUEM ? - O grito que mamãe dá me faz calar.
Estranho ao ver seus olhos arregalados. Está completamente lívida, sua boca em um formado de ''O'' perfeito. Olho para a bancada e vejo que a atenção de Ricardo agora está voltada para nós.
– Mãe, está tudo bem ? - Pergunto preocupada.
– Sim.. - Ofega. – Sim, está tudo bem. É que.. - Ela esfrega o rosto, se recompondo e sorri para me convencer. – É que você começou a falar sem parar e estava me confundindo um pouco. - Olho para Ricardo e ele acena de cabeça para mim, voltando sua atenção para o jornal em seguida. – Então, continue.. quem é mesmo o dono das flores ? - Sua voz sai baixa o suficiente para que só eu escute. Seu tom está completamente despreocupado, mas seus olhos estão com um certo nervosismo.
– Lincoln Timber. - Seus olhos aumentam um pouco, mas vejo que se segura para não transparecer nada. Espero para que diga algo, mas nada sai de sua boca. – Então, como eu estava falando eu..
– Selena, se afaste de homem. - Paro ao ver suas sobrancelhas reunidas e seu semblante completamente sério.
– O-o quê ? - Pergunto atônita. Como assim? Porque dessa reação ?
– Se afaste dele. Não vou dizer outra vez. - Diz severamente. Minha mãe, raramente fala assim comigo. Aliás, lembro de uma vez só, quando nós havíamos brigado.
– Por que está falando assim comigo ?
– Porque estou falando sério. - Olho desconfiada. – Porque tal vez... tal vez esse homem seja perigoso. - Diz nervosa. – E se Nicholas não aceita essa sua relação com ele, deveria respeitá-lo. E se ele tiver razão e esse tal de Lincoln só queira se vingar dele e esteja te usando para isso ? - Franzo meus olhos, intrigada com o que ela diz.
– Estranho... você falou pra mim se afastar dele como se...
– Como o quê? - Me interrompe bruscamente.
– Nada. - Digo ao reparar a atenção de meu pai novamente em nós duas. Ela me olha em silêncio e sei que não acreditou não ser nada. Minha mãe sempre foi muito psicótica com o meu ''nada''. Ela sempre soube que meu ''nada'' significa ''muita coisa''.
– Ok.. - Diz com cautela e coloca um sorriso nos lábios em seguida. – Então vou fazer o almoço.
– Vá falar com Nicholas. - Aviso e sigo para o quarto.
Quando abro a porta, vejo que ele está parado na janela, com seu olhar perdido no horizonte. Me aproximo dele lentamente, esperando alguma reação, mas não obtenho nenhuma. Abraço-o por trás, descansando o queixo em suas costas e suspiro.
– Eu vou me afastar dele. - Falo calmamente e Nicholas permanece do mesmo jeito. Espero por sua resposta mais um pouco, mas nada.. ele continua do mesmo jeito. – Nicholas, não me ignore... Baby, eu não quero que fiquemos brigados por besteiras. - Paro de falar quando ele se vira, me fazendo se afastar um pouco.
– Besteiras ? Você chama as flores e a invasão do Linc em sua vida de besteiras?
– Não. Eu chamo de besteira a gente brigar a cada minuto que o nome Lincoln aparece, sendo que ele nem é importante em minha vida. Se eu gostei da amizade dele ? Sim. Mas se for para ficar brigando a toda hora com você por isso, eu prefiro me afastar dele. - Me aproximo dele e levo as mãos em seu rosto, fixando nossos olhares. – Essa é a ultima vez que vou falar isso e espero que o assunto Linc morra aqui, ok ? - Ele assente de cabeça. – Você é importante na minha vida. O Linc não. Coloca isso na sua cabeça! Agora vamos, antes que mamãe venha aqui e nos pegue pelas orelhas. - Sorrio para acabar com a tensão no recinto. Ele me olha duvidoso, com um pequeno sorrisinho. – Ela é bem capaz disso, não duvide. - Sorrio e assim saímos do quarto.

{...}

Depois de ver Mandy preparar o almoço sozinha e estranhamente distraída, já que ela recusou qualquer ajuda, estamos todos sentados na bancada, pondo nossa comida no prato. Olho para cara de meu pai e sorrio com seu semblante aterrorizado. Olho para Nicholas, quando ele levanta o garfo e leva até a boca.
– Então ? O que achou ? - Minha mãe pergunta do outro lado da bancada, esperançosa.
Todos os olhares se voltam para Nicholas, que está levemente sem graça, engolindo os últimos restos de seu garfo. Ele olha para mim em busca de alguma salvação, mas só o que consigo é conter uma enorme risada. Então ele olha para Ricardo, que está com um minúsculo sorriso nos lábios. Nicholas, então, volta-se para minha mãe e pigarreia.
– Está surpreendente! Nunca comi algo assim antes. E olha que são poucos os que me surpreende, senhora Gomez.
– Ah, menino! Me chame só de Mandy. - Diz minha mãe, eufórica com a resposta de Nicholas.
Ele realmente sabe se sair bem. Eu jamais conseguiria isso. Nicholas já ganhou mamãe com sua maneira de responder. Já sei que de agora em diante, ela ficará sempre do lado dele. Se bem que ele não mentiu hora nenhuma. A comida está realmente surpreendente.. para os que não a conhece, como meu pai e eu. O frango está um pouco duro e sem gosto, o purê está meio estranho assim como a salada, e o arroz nem se fala. Mamãe nunca foi de cozinhar bem.
– Selly!, Ricardo,  Acompanhem Nicholas na comida. - Mamãe ordena.

Começo a comer, mesmo a contragosto, para não deixá-la triste. Papai e Nicholas começa a conversar sobre coisas banais. Pelo canto de olho vejo que minha mãe já não sorri como antes. Está absorta em seu pensamentos e com o olhar preso em mim. Depois de nossa conversa, ela simplesmente ficou estranha. Preciso saber o porque ela teve aquela reação. Por mais que eu queira ignorar, senti um sentimento de mistério no ar. Preciso descobrir o que é e é o que irei fazer...





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Creditos Angel 

XL - Amor Obscuro

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Versão Jonas

Acordo abraçado ao corpo nú de Selly em sua cama. Mesmo que ela ficasse irresistível, dormindo nua no tapete da sala, preferi trazê-la para seu quarto. A sua amiguinha chata poderia chegar e não seria nada agradável. Escorrego minha mão pelas suas costas nua, olhando seu corpo nú coberto do traseiro para baixo. Nossa, acho que nunca irei me cansar de ver essa imagem dela, nua em meus braços. Olho o redor do quarto totalmente na penumbra, parando meus olhos na única luz dentro do recinto. Olho o visor do despertador e vejo que são 5hr30 da manhã. Merda! Tenho que levantar se não, me atrasarei para a reunião que me aguarda em Nova York. Suspiro em exasperação e volto a fitar o rosto de Selly. Como ela é linda dormindo. Desço meu olhar pelo seu corpo, sentindo minha ereção crescer a vez que seu aroma delicioso entra pelas minhas narinas, dominando completamente meus sentidos. Que vontade de acordá-la e fodê-la até cair desmaiado. Mas ela está tão tranquila em seu sono, que me sinto incapaz de acordá-la. Sacudo a cabeça para espantar esses pensamentos e, mesmo sem vontade, tiro seus braços que estão a minha volta e saio da cama lentamente para não acordá-la.
Assim que fico de pé, olho para ela, que resmungando um pouco, agarra o travesseiro no qual eu estava deitado, sem que o edredom se mova do lugar, deixando toda sua costa à vista ainda. Seus seios estão pressionados no colchão, mas posso ver a lateral deles. Praguejo mentalmente e esfrego meu rosto com as duas mão. Inferno! Como ela fica sexy desse jeito. Respiro fundo e com determinação, pego meu BlackBerry e sigo para o banheiro. Mando uma mensagem para Taylor, pedindo que traga roupas e meu café. Em seguida, entro no box e tomo meu banho rapidamente. Me lavo com seu sabonete, shampoo e condicionador de baunilha, sorrindo ao pensar como os executivos, que encontrarei em Nova Iorque, vão estranhar meu cheiro. Se já achavam que eu era gay, o que irão dizer agora. Em outros tempos, esse mero pensamento já me irritaria e muito, mas como se trata de Selly, não consigo fazer outra coisa a não ser sorri.
Saio do banho e me enxugo com a primeira toalha que encontro em seu banheiro, enrolando-a em minha cintura em seguida. Saio do banheiro a tempo de ouvir o interfone tocar. Merda! Não posso atender Taylor só de toalha. Rapidamente meus olhos encontram o roupão rosa de Selly e, mesmo ficando um pouco pequeno, cubro meu torso com ele. Saio do quarto e vou até o interfone atender. Libero a entrada de Taylor e logo ele bate na porta. Assim que abro a porta, vejo-o arregalar os olhos. Fecho o cenho para evitar um sorrisinho besta de sua parte e ele se endireita assim que vê minha expressão.
– Sr. Jonas, aqui está o que me pediu. - Ele me entrega uma bolsa e meu terno.
– Obrigado. Ligue para Stephen e veja se já está tudo pronto para meu vôo. - Ordeno e viro para ir para o quarto quando tenho uma súbita ideia. – Taylor, dessa vez irei sozinho. Como não estarei na cidade, você ficará encarregado de me informar tudo sobre os passos de Selly. - Ele assente de cabeça.
Viro e volto para o quarto. Ultimamente, não tenho vigiado seus passos. E depois de nossas brigas, resolvi baixar a guarda, mesmo não aguentando ficar sem saber dela o dia inteiro. E agora que eu estarei fora, preciso saber de cada um de seus passos. Visto minha roupa rápido, sem fazer barulho, para não acordá-la e antes de voltar para a sala deixo uma trilha de beijos das costas nua de Selena até sua nuca.
– Te amo, baby! - Sussurro e beijo embaixo de sua orelha.
Ela se remexe um pouco e resmunga algo ininteligível. Sorrio e saio do quarto.
– Estou pronto. Vamos! - Digo a Taylor assim que chego na sala.
– Senhor, seu café.
– Tomarei no carro, Taylor.
Saímos do apartamento e andamos à passos largos até o carro. Assim que entro no carro, pego o que Taylor me trouxe de café da manhã e começo a comer. Minutos depois chegamos ao Sea-Tac e Taylor para o carro na pista de pouso e decolagem, onde meu jatinho me espera. Saio do carro com minha bolsa na mão e, depois que reafirmo as ordem de vigilância com Taylor, sigo para meu jato.
– Bom dia, senhor Jonas. - Stephen me cumprimenta assim que me aproximo.
– Bom dia, Stephen. Tudo pronto ?
– Tudo, senhor.
– Então, vamos. - Digo e assim entramos no jato.

{...} 

Depois de 5hrs30 de vôo, aqui estou eu, seguindo para uma reunião chata, porém muito vantajosa para a JEH. Mesmo sem ter vindo comigo, Taylor fez questão de contratar um motorista para mim. Realmente preciso dar uma aumento à esse homem. Ele sempre pensa em tudo. Sigo para o restaurante onde me esperam e lá me perco horas e horar em fusões e aquisições.
{...}


Enfim, chega a hora do almoço e resolvemos fazer uma pausa para comer. Enquanto minha comida não chega, ligo para Taylor para saber como Selly está. Não faz nem uma hora que mandei mensagem perguntando sobre ela. Aliás, passei a manhã inteira arrumando um tempinho para saber como ela está. Por enquanto está tudo certo com ela: Foi para o trabalho e desde então continua lá. Disco o número e no segundo toque ele atende.
– Sim, senhor Jonas.
– Taylor, como está Selena?
– Ela.. - Ele pigarreia. – A senhorita Gomez está em uma lanchonete em frente a SIP, senhor. - Sinto o tom nervoso de sua voz e algo em minha mente fica em estado de alerta. Tem coisa errada aí.
– E quem mais ?
– Uma menina que saiu com ela do prédio. - Ele responde rapidamente.
– Só ? - O telefone fica mudo de repente e sinto meus nervos se enrijecer. O que há de errado com ele ? – Taylor, eu te fiz uma pergunta. - Rosno.
– Não, senhor. - Ele faz uma pausa e quando estou prestes a explodir, ele completa. – O senhor Timber está com ela.
– O QUÊ ? - Grito e todos os executivos da mesa se voltam para mim. – Já volto senhores, houve um problema e preciso resolvê-lo agora. Com licença. - Digo aos demais e levanto da mesa, me afastando em seguida. – Que merda você acaba dizer, Taylor ? - Rosno ao telefone. – Como ... como assim ? Tem certeza que é ele ? - Pergunto com a raiva emanando de minha voz.
– Tenho sim, senhor. - Fecho meu punho e me assusto com o barulho dos meus dentes trincado.
– Obrigado, Taylor. Isso é tudo. Fique de olho e me mantenha informado. - Digo e desligo.
Rapidamente disco o número de Selena e ela logo atende.
– Oi. - Sua voz soa doce e risonha como sempre.
– QUE DIABOS VOCÊ ESTÁ FAZENDO COM ESSE FILHO DA PUTA ? - Grito. Estou tão puto da vida que ela esteja na companhia daquele imbecil. Espero que ela diga algo, mas o telefone fica mudo. Quando estou prestes a gritar novamente, sua voz sai pelos alto-falantes.
– Bom almoço pra você também. - O sarcasmo em sua voz é evidente.
– Eu não estou para brincadeiras, Selena. - Rosno. Se ela soube o quanto sinto vontade de espancar seu bumbum até ficar totalmente vermelho, não falaria assim comigo. Porra, Jonas! Não pense nessas merdas de novo. Já a perdeu por isso uma vez. Me repreendo mentalmente.
– Com licença. - Ouço ela dizer a alguém e instantes depois, volta a responder. – Quer parar de gritar ? - Grita. Conto mentalmente, para esquecer essa merda que me assombra e permaneço calado. – Baby, assim que você chegar na segunda nós conversaremos, ok ? - Pede calmamente, mas continuo calado. Ah, mas é claro que conversaremos! – Baby eu ..
– Tudo bem, tchau. - Corto-a e desligo.
Aperto o celular em minhas mãos, à ponto de explodir. Calma, Jonas! Você precisa pensar agora e não dar um ataque no meio da rua. Você precisa voltar o quanto antes para Seattle e resolver isso. Ligo para Andréia, minha secretária que se encontra em meu escritório em Seattle, e rapidamente lhe ordeno que adiante todas as reuniões possíveis até amanhã cedo. Respiro profundamente ao desligar o celular, ajeito meu terno e volto para a mesa assim que consigo colocar minha melhor máscara impassível. Me sento de volta a minha cadeira, com minha cara de pôquer e almoço tranquilamente. 

{...}
Depois de passar a tarde toda em reuniões chatas e cansativas, vou para meu apartamento que possuo aqui em Nova York. Tomo um longo banho para esfriar a cabeça, senão acabarei enlouquecendo. Selly faz isso comigo.. me enlouquece totalmente. Preciso voltar urgentemente para casa e dar um basta nessa história dela com Linc. Desde quando que ela estivera vendo-o ? Será que essa não foi a primeira vez ? Sinto o ódio crescer novamente em meu interior e soco a parede. Inferno! Será que não posso ficar em paz com a minha garota ?
Saio do banho e me jogo na cama, de toalha e tudo. Olho para o teto e logo os olhos de Selena veem em minha mente. Instantaneamente me acalmo um pouco e meu celular começa a tocar. Pego-o em cima da mesinha de cabeceira e vejo que é Selena me ligando. Permaneço imóvel com o celular em mãos, enquanto o celular toca e toca. Já sei o que ela vai falar e não quero brigar. Sei que vou me irritar e preciso me manter calmo, pois ainda terei uma vídeo conferência, devido a sua imprudência. O celular para de tocar e o visor marca que já uma mensagem de voz. Tento resistir, mas é mais forte do que eu e logo a voz sonolenta de meu amor invade meus ouvidos.

*Eu queria ouvir sua voz antes de dormir, mas pelo visto não vou conseguir obter esse desejo. Sei que está com raiva de mim. Me desculpe, baby. Espero que esteja bem.
Tenha uma boa noite de sono e não tenha pesadelos.
Não se esqueça que eu te amo.
Beijos, sua Selly.*


Sinto uma vontade imensa de retornar a ligação, mas ela parecia tão cansada que resolvo não ligar. Respiro fundo e coloco uma roupa para começar minha sessão de reuniões via internet.

{...}



Depois de ter dormido péssimo, por causa dos pesadelos com Selly e Linc que me assolaram, nas poucas horas que tive para dormir, devido as vídeo conferências e passar a manhã inteira adiantando as reuniões que teria até segunda, aqui estou eu em meu jato de volta para Seattle. Enfim, estou voltando para casa para resolver um sério problema, mas o bom dessa história toda é que consegui fechar negócio com várias empresários e verei minha Selly brevemente. Fecho meu olhos e recosto mais em meu assento. Minha mente vagueia para Selly e logo fico aflito. O que será que Linc quer com ela ? Será vingança por eu ter fodido com sua mulher durante anos? Lógico! Com certeza é isso. Mas não vou deixar ele colocar Selly nessa história. Se alguém errou nessa história fui eu e não é por minha causa que Selly sofrerá nas mãos dele. Com esse determinado pensamento, deixo o cansaço me levar para um sono confortável, com minha Selly.
{...}


Assim que o avião pousa na grande Seattle, saio do mesmo e sou abraçado pela cidade em seu total crepúsculo. Ligo para Taylor, mas só cai na caixa postal. Inferno! Saio do aeroporto com meus pertences em mãos e sigo para o apartamento de Selly, assim que entro no táxi.
Logo que chego, vejo que o portão está aberto. Merda! Será que ninguém aqui se preocupa com segurança ? Já é a segunda vez consecutiva que pego esse portão aberto. Preciso dar um jeito nisso. Não posso deixar Selly tão exposta desse jeito. Ainda mais agora com Linc a cercando. O que será que esse infeliz quer ?
Subo as escadas correndo e quando chego em sua porta, paraliso totalmente. Meu corpo gela ao encontrar a porta aberta e Taylor sentando em seu sofá, com os cotovelos apoiados no joelho e a cabeça entre suas mãos.
– O que está havendo, Taylor ? - Minha voz sai terrivelmente fria .
Rapidamente ele levanta a cabeça ao meu encontro e vejo-o empalidecer em minha frente. Oh, não! Isso não é bom. Taylor nunca ágil desse jeito, por mais difícil que fosse conviver comigo.
– Senhor Jonas. - Diz levemente assustado.
– Sim, Taylor. Sou eu mesmo, não está vendo. Agora me diga, que merda esta acontecendo aqui ? - Rosno e a cada segundo que se passa sinto a aflição me transbordar. Ele pigarreia e tenta se manter mais profissional.
– Senhor, houve um problema com a Selena.
– O quê ? - Arregalo meus olhos e tenho certeza que minha voz saiu em um fio. Ele me olha por um momento e vejo a consternação emanar de seus olhos. Por fim, respira profundamente e sinto que o que vai sair de sua boca é terrível.
– Selena sofreu uma tentativa de abuso sexual, senhor. - Diz num sopro só.
– O QUÊ ? COMO ASSIM ? - Grito fora de mim. Com a minha Ana não, meu Deus!
– Eu estava esperando-a na porta do prédio da SIP, depois que ela me ligou informando que já estava saindo. Só que ela estava demorando demais e eu fui ver o que estava acontecendo. Demorou um pouco até que eu achasse seu andar de trabalho e quando o achei, ouvi um grito estridente vir de um lugar, que depois descobri ser a escada. Selly estava encolhida no canto da parede, no patamar abaixo e só tive tempo de descer as escadas correndo para socar o desgraçado que estava numa briga com seu chefe, o senhor Hyde. Graças a ele, o infeliz não conseguiu ir até o fim. - Vejo que está mortificado ao pronunciar a ultima frase, mas não tenho reação alguma, tamanho é o meu choque. Como assim minha Selly sofreu abuso? EU VOU MATAR O DESGRAÇADO!
– Onde ela está ? - Pergunto assim que encontro minha voz.
– Já faz um longo tempo que ela está lá dentro. - Responde e abaixa a cabeça.
A passos largos, vou até seu quarto e ouço o barulho do chuveiro ligado. Entro rapidamente no banheiro e pelo vidro do box, vejo Selly sentada no chão.
– Selly - Chamo-a. Como resposta ela parece despertar de seu transe. Ela estava dormindo ? Ela desliza a porta do box e lentamente me aproximo dela. Meu coração para ao ver sua fisionomia. Seu rosto está machucado, o lado direito levemente inchado e a boca com um corte no canto. – Cristo! Selly. - O desespero em minha voz é tão evidente que chega a me espantar. – Por que você está sentada aí? Taylor me disse que faz mais de meia hora que você está aí...
– Acho que eu dormi... - Ela olha ao meu redor, um pouco assustada talvez.
– Sai daí...Vai ficar doente. - Digo, entrando no box e desligo o chuveiro. Volto meu olhar para ela e reprimo uma lágrima. Como eu gostaria de tirar todo o seu sofrimento, baby! – Vem! - Me abaixo e tento pegá-la, mas ela empurra minhas mãos. Insisto e apesar de sua resistência, ela sede.
Abraço-a e sento no chão, junto à ela e a aninho em meus braços. Nada e nem ninguém mais fará mal a você. Inferno! Não era para isso ter acontecido. Eu jurei que iria protegê-la e cá está ela, toda machucada e fodida em 50 tons. Embalo ela por horas, até que seu choro se cala.
– Baby, vamos sair daqui antes que você fique doente. - Espero sua resposta, mas ela permanece calada.
Então me levanto com ela em meu colo e a levo para o quarto, colocando-a de pé perto de sua cama. Vou até seu closet e pego roupas e toalhas. Volto e enxugo cada parte do seu corpo, parando a mão a cada vez que vejo uma mancha roxa. Eu juro que esse desgraçado vai pagar muito caro por isso! Rosno em pensamento e continuo a secá-la. Não posso deixar transparecer o quanto estou desesperado com esse ocorrido. Selly precisa de conforto, amor e carinho, não de um babaca raivoso ao seu lado.
Peço para que se sente e começo a vesti-la. Ela permanece quieta e isso me faz pensar que em outros tempos, eu teria gostado de vê-la assim. Ou não né Jonas! Você a ama por ela ser o que é e não uma completa submissa à você! Meu subconsciente rosna comigo.
Pego a escova de cabelo em cima da cômoda e me sento atrás dela, para penteá-la. Ela continua calada enquanto eu a penteio, mas o que mais me incomoda é a sua distância. Não gosto da frieza que se instalou entre nós. Não quero que ela fique com traumas e, muito menos, me rejeite. Isso não! Não posso permitir isso! Não aguentaria perdê-la desse jeito! Abraço-a desesperadamente por trás e ela enrijece o corpo instantaneamente.
– Não me rejeite, baby. - Balbucio as palavras com certo desespero em seu ouvido.
– Desculpe, eu ... eu ...
– Eu sei... Shhhh... - Digo e acaricio seus braços, tentando lhe transmitir maior conforto. Ouço-a respirar fundo e, logo seu corpo amolece em minhas mãos. – Isso! Assim ... - Sussurro em seu ouvido.
Continuo acariciando seus braços com minhas mãos, descendo-as até seu pulso e pelo canto de olho, vejo sua careta de dor. Oh, não!
– Dói ?
– Um pouco. - Responde baixinho.
– Você tem marcas pelo corpo todo. - Digo com o coração doendo ao lembrar das marcas que vi e ela assente de cabeça.
– Eu imagino que esteja. - Fecho meus olhos, jurando matar o desgraçado que fez isso.
– Porque você não quis ir ao hospital com Taylor ? - Tento manter minha voz tranquila, escondendo minha raiva com sua falta de atenção com sua saúde.
– Eu estou bem. Daqui uns dias a dor acaba e as marcas saem.
– Selly! E se você quebrou alguma coisa ? Vamos ao hospital agora! - Me movo para levantar, mas ela pega minhas mãos entre as suas, fazendo-me parar de um súbito.
– Eu não quero que me vejam nesse estado. Eu já passei por isso uma vez e não quero repetir esse episódio. Dá outra vez eu tive que passar por perícia, por delegacia, julgamento, por tudo mais... Não quero isso para mim de novo, Nicholas. Já basta ter que aguentar os olhares daqueles policiais hoje. - Sinto a frieza emanar de sua voz e isso me quebra mais por dentro.
– Oh, Selly - Beijo sua têmpora e a abraço mais. – Eu nunca vou me perdoar por isso ter acontecido isso com você e eu não estava aqui. - Isso com certeza não irei fazer!
– Você não tem culpa, baby! - Ela leva uma mão em meu rosto para acariciar-me e despejo um beijo na mesma. – Aliás, o que você está fazendo aqui ? Não era para vir só na segunda ?
– Eu adiantei todas minhas reuniões para o resto da tarde de ontem e hoje. Queria vir o mais rápido possível. Assim que cheguei eu vim para cá e encontrei Taylor na sala. Estranhei sua presença e então ele me contou tudo sobre o ocorrido.
– Foi por isso que não atendeu minhas ligações ?
– Sim. Eu ouvi sua mensagem de voz. - Merda! Agora mesmo que nunca vou me perdoar. Deveria ter ligado para ela. Suspiro, na tentativa de esconder a raiva mais uma vez. – Me perdoa por não ter lhe respondido, mas é que eram muitas reuniões e eu também estava com raiva. Não queria brigar com você. - Meu arrependimento não tem tamanho. Como eu sou um imbecil. Ela se vira um pouco de lado e me olha.
– Não faça isso de novo. Eu fiquei muito preocupada com você, baby. - Pede.
– Eu sei.. me perdoa, por favor! - Imploro e beijo a ponta do seu nariz. – Eu sou um imbecil. Deveria ter lhe dado satisfações. Me perdoa ? - Suplico.
– Tudo bem, o que importa é que você está aqui comigo. São e salvo. - Diz, olhando em meus e acaricia minha bochecha. – Desculpa por ter escondido de você... - Corto o assunto ao colocar um dedo em seus lábios para silenciá-la ao perceber aonde ela que chegar. Não é hora de falar desse babaca!
– Falaremos disso outro dia. - Franzo a testa e ela assente de cabeça. – Agora deite-se. Vou chamar minha mãe para te examinar. - Digo, deitando-a na cama.
– Nicholas, não preci..
– Shhhh.. isso você não irá me impedir de fazer, Selena. - Digo resignado.
Espero até que ela se cubra com edredom e saio do quarto, com o celular em mãos. Disco o número de minha mãe e logo ela atende.
– Oi meu filho, como você está ? - Ela pergunta toda carinhosa, como sempre.
– Não muito bem. Mãe, será que a senhora poderia vir até o apartamento da Selly, para examiná-la ?
– Cristo! O que houve com ela ? - Pergunta aflita. Respiro fundo e resolvo lhe contar a verdade.
– Ela sofreu uma tentativa de abuso no emprego e está um pouco machucada. Estou preocupado que seja algo grave, mas ela se recusa a ir até o hospital. Não quero forçá-la nesse momento.
– Meu Deus! Eu vou sim, filho.
– E por favor, não conte a ninguém do ocorrido, por enquanto.
– Tudo bem, meu amor...
Depois de lhe passar o endereço do apartamento, me despeço dela e desligo. Levanto a cabeça e encontro Taylor me olhando, com uma expressão diferente.
– Senhor Jonas, o senhor me deu uma ordem e eu não a cumpre como deveria, então estou pondo meu cargo a disposição, para que encontre um outro profissional mais capacitado. - Ele diz me olhando fixamente.
Sua posição está rígida, mas seus olhos, pela primeira vez, transmite o que sente. Está mortificado com o ocorrido. Levo minhas duas mãos nos cabelos e os bagunço, tamanho é o meu nervoso. Merda! Taylor sempre foi um ótimo funcionário e arrisco dizer que um bom companheiro. Mesmo que tenha falhado dessa vez, sei de sua capacidade. Sei do ótimo profissional que é.
– Não aceito sua demissão.
– Mas senhor ...
– Estamos conversados sobre isso ? - Interrompo-o. Ele me olha e assente de cabeça, ao perceber que não irei aceitar tão fácil assim sua demissão. – Que bom! Bem, quero que ligue para Stephen imediatamente e agilize o mais rápido possível a vinda da mãe de Selly para cá. A senhora Gomez mora na Georgia.. bem você já sabe! E agilize também a vinda do senhor Gomez, ok ? - Ele assente de cabeça. – Agora me conte tudo o que houve novamente ?
Ele me conta cada detalhe do que se passou e a cada um deles, fico mais revoltado. Esse tal de Tony irá pagar muito caro. Olho para Taylor e sei que está revoltado. Ele realmente gosta de Selly. Quem não gosta dela, né Jonas? Estranhamente não me incomodo com essa constatação. Minutos depois o interfone toca e já sei que é minha mãe. Libero sua entrada e logo ela bate na porta. Abro-a e a levo até o quarto de Selly. Noto que Selly está inerte assim que entramos. Minha mãe, como sempre, a cumprimenta amorosamente e lhe enche de carinhos. Começa a examiná-la e permaneço no quarto, mesmo elas pedindo que eu saísse do quarto. Me recuso a ficar longe de Selly nesse momento tão difícil. Já me sinto culpado por tê-la abandonado aqui em Seattle e por conta disso, lhe aconteceu novamente essa barbaridade. Deveria tê-la levado comigo para Nova York. Nada disso teria acontecido se eu tivesse feito isso. Mas não! Depois que voltamos, sempre deixei que Selly fizesse o que queria, mas já agora será diferente. Chega dessa palhaçada de deixá-la fazer tudo o que dá na cabeça. Controlarei todos os seus passos para que não haja mais incidentes como este. A protegerei como sempre deveria ter feito desde o começo.
Momentos depois, minha mãe termina de examiná-la e solto a respiração ao ouvi de sua boca que Selly está bem, apesar dos machucados. Me entrega uma receita e logo saio do quarto, indo ao encontro de Taylor.
– Taylor, você pode ir em uma farmácia mais próxima e conseguir esses remédios aqui ? - Lhe entrego a receita.
– Claro senhor. É só isso ?
– E traga também umas roupas para mim e algo para Selly comer.
– Ok, senhor. - Ele diz e sai.
Volto para o quarto e vejo minha mãe beijar a testa de Selly. Sei que isso a faz bem. Selly precisa de todo amor para que fique bem e esqueça esse maldito dia. Então, minha mãe me diz que contou ao meu pai do ocorrido e não estranho isso. Ela nunca esconde nada dele. Não ligo muito para isso, pois iria recorrer as suas habilidades em advocacia para fazer aquele desgraçado apodrecer em uma cela. Denize se despede de nós, me fazendo prometer que cuidarei bem de Selly. Reviro meus olhos para seu pedido. É lógico que cuidarei bem dela. Ela é minha mulher, caramba! A mulher que eu amo! Como resposta minha mãe me repreende e vejo um sorriso sincero se abrir nos lábios de minha namorada. Meu coração se aperta todo com esse simples gesto de sua parte. Minha mãe, parece perceber o mesmo que eu e se despede de nós novamente e vai embora.
– Está melhor ? - Pergunto assim que sento ao seu lado e pego suas mãos entre as minhas. Ela assente de cabeça, enquanto eu pego seu pulso enfaixado e distribuo beijinhos pelo mesmo. – Que bom. Pedi a Taylor que trouxesse comida também. - Paro e olho-a. Ela parece está um pouco melhor. Não quero pressioná-la e tocar nesse assunto indesejado, mas é preciso. – Ele está revoltado. Nunca o vi assim antes. - Digo com certo cuidado, temendo por sua reação.
– Revoltado, porque ? - Pergunta levemente espantada.
– Está com raiva por não ter subido antes.
– Ele não tem culpa de nada.
– Bem.. - Me aproximo mais dela, sentando ao seu lado na cama e a abraço de lado. Ela passo seus braços envolta de minha cintura e deita a cabeça em cima de meu peito. Oh, como esse contanto é bom! – Agora o que importa é que você está aqui e precisa descansar, baby! - Beijo sua testa carinhosamente e afago seu braço.
– Obrigada. - Pelo quê ? Viro a cabeça rapidamente em sua direção. Do que ela está agradecendo dessa vez ? Abro a boca para perguntar, mas ela completa rapidamente. – Por tudo.
Oh, baby! Não precisa agradecer. Por você eu faria isso e muuuito mais! Penso várias maneiras de lhe falar, mas como nenhum som sai de minha boca, abro um pequeno sorriso em resposta.
– Não tem que agradecer, baby! - Beija sua têmpora. – Agora descanse, enquanto o remédio e a comida não chega. - Ela sorri e beija minha bochecha.
– Ok, senhor mandão. - Ela se aninha mais em mim, quando um barulho estrondoso ao lado de fora do quarto me deixa em alerta.
Rapidamente a porta do quarto se abre abruptamente e minha raiva cresce num piscar de olhos, ao ver o imbecil do Lincoln entrar no recinto e se aproximar da cama, de frente para ela.
– Selena, você está bem ? - Pergunta ofegante.
– O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI. - Rosno, já me levantando da cama.
Meus membros ficam rígidos rapidamente e cerro meus punhos, juntamente com meu maxilar. QUEM ESSE FILHO DA PUTA PENSA QUE É PRA ENTRAR AQUI DESSE JEITO? Como ele se atreve ? Eu vou acabar com ele.... 



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Creditos Angel