quinta-feira, 23 de outubro de 2014

XXXIX - Amor Obscuro

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Momentos se passam, que para mim parece uma eternidade, e nada acontece. Só sinto os lábios nojentos de Tony em minha pele, enquanto eu choro copiosamente, implorando para que alguém apareça. Não posso deixar isso acontecer novamente. Preciso fazer algo! Mas minha cabeça dói tanto, meus olhos estão desfocados. Só sinto a dor me exaurir pouco a pouco. Tomo um pouco de fôlego e grito o mais alto que consigo, ignorando a dor em meu maxilar.
– O QUE É ISSO! - Um grito estridente adentra em meus ouvidos como resposta.
Esforço-me para me lembrar dessa voz um pouco familiar, mas logo passos apressados tomam conta do recinto e sinto um alívio imediato ao sentir que um peso sai de cima de mim. Arrasto-me fracamente até um canto da parede e forço meus olhos para enxergar melhor o que se passa. De repente tudo se transforma em um caos. Ouço barulhos de lutas corporais e com minha visão ainda um pouco turva vejo um Jack possesso desferir socos em Tony.
– Que merda você pensa que está fazendo, seu filho da puta! - Jack rosna.
Em um movimento, Tony consegue escapar dos socos de Jack e assim desfere um em sua barriga, fazendo Jack se curvar de dor. Encolho-me o máximo que consigo ao ver Tony ir para cima de Jack e grito para que mais alguém apareça. Com resposta aos meus gritos, vejo um Taylor descer as escadas em um piscar de olhos e se juntar a briga. Assisto horrorizada a tudo. Levo minhas mãos trêmulas aos meus ouvidos, na tentativa de acabar com os zumbidos e fecho meus olhos, apertando bem minhas pálpebras, enquanto as lágrimas caem incessantemente...
– Selena, você está bem ? - A voz preocupada de Taylor me tira de meu transe, fazendo com que eu abra meus olhos.
Encontro seus olhos tristes e mais lágrimas caem de meus olhos. Engulo em seco e tento dizer algo, mas não consigo. O nó em minha garganta não me deixar emitir qualquer som.
– Estava voltando para pegar uma coisa que esqueci em minha sala, quando ouvi gritos e segui o rastro. Foi quando abri a porta de acesso as escadas e encontrei esse canalha em cima da Selena. - Jack rosna.
Olho para o lado em que ele se encontra com a respiração ofegante, ao lado do corpo de Tony, que está estirado no chão.
– Ele está morto ? - Pergunto com a voz trêmula, apontando para Tony.
– Não. - Taylor responde rapidamente. – Ele só está desmaiado. - Abre um mini sorriso e sei que é para me confortar. Em seguida ele tira o paletó e coloca-o a volta de meus ombros, me cobrindo as partes semi nuas. Envolvo-me mais nele, apertando-o contra mim. – A polícia já está a caminho. Vai ficar tudo bem! - Diz e aperta meus braços levemente para me confortar. Estremeço com esse toque e ele parece perceber, pois tira suas mãos de cima de mim.
– Esse filho da puta merece apodrecer na cadeia. - Jack rosna, olhando para o corpo de Tony.
Olho novamente para Jack e adiante dele vejo dois seguranças noturnos do prédio. Quando foi que eles apareceram que eu não vi ?
– Eu quero ir para casa. - Peço num fio de voz.
– Nós já vamos, Selena. Mas primeiro precisamos ir ao hospital. - Taylor diz, olhando seriamente para o ferimento em meu rosto. Tenta passar a mão levemente nele, mas esquivo-me de seu toque e ele retira a mão rapidamente.
– Eu estou bem, eu só preciso ir para casa. - Suplico.
– Podem ir. Eu fico para esperar os policiais e dou meu depoimento. - Jack diz e se aproxima lentamente.
Ele se agacha ao meu lado. Fixo meus olhos no chão depois de ver seu olhar de pena. Ele tenta passar a mão em minha cabeça, mas rapidamente me esquivo. Estou muito suja para que alguém me toque.
– Oh, Selly!! O que esse canalha fez com você... - Jack lamenta. – Como ele pode.... Justo com você. Uma garota boa e doce, que não faz mal a ninguém...
Não digo uma palavra. Fecho meus olhos, esperando que esse inferno acabe logo. Permaneço nesse estado, que denominam como estado de choque, até que passos fortes se aproximam. Abro meus olhos e vejo que os policiais já chegaram. Entre lágrimas e soluços, conto tudo o que aconteceu, antes de Jack aparecer, aos policias. Eles tentam parecer impassível, mas percebo que olham atento aos meus pequenos movimentos. Tony acorda de seu desmaio e começa a me insultar com palavras de baixos calão.
– Chega! Chega dessas perguntas, creio que ela já respondeu o suficiente para fazer esse imbecil morrer na cadeia. - Taylor diz rispidamente aos policias assim que me fazem outra pergunta intimidante. – Vou levar a senhorita para casa. - Ele se abaixa, pega minha bolsa e me pega no colo.
Tento reprimir um gemido de dor ao sentir meus membros reclamarem, mas falho. Taylor me olha preocupado e começa a descer as escadas. Assim que chegamos a faixada do edifício, escondo meu rosto no ombro dele, apesar da dor. Não quero que alguém veja meus rosto. Ele abre a porta traseira com uma mão e cuidadosamente me coloca no banco. Devolve minha bolsa e olha para mim.
– Tem certeza que não quer ir ao hospital ? O senhor Jonas não vai gostar de saber que ..
– Quero ir para minha casa e só isso! - Interrompo-o, resignada e olho para frente.
Ele pensa por longos segundos, mas se conforma e fecha a porta exasperado. Durante o caminho todo para casa, olho fixamente para frente, ignorando os olhares preocupados de Taylor pelo retrovisor. Seguro ao máximo as lágrimas e tento pensar em outras coisas, mas minha mente fica em branco. Logo, Taylor estaciona em frente ao meu prédio e abro a porta para sair. Coloco um pé pra fora, reclamando mentalmente da dor em meu corpo e saio do carro. Foco em me manter em pé e seguir para dentro do prédio, sob os olhares atento de Taylor.
– Selena, deixa que eu te levo. - Informa e pega-me no colo novamente.
Protesto, mas ele ignora e segue seu caminho compenetrado. Assim que entramos em meu apartamento ele me coloca no chão.
– Obrigada, Taylor.
Em resposta, ele abre um meio sorriso complacente. Em todo esse tempo nunca vi Taylor sorri tanto como hoje. Coitado! Está tentando de tudo para me manter bem, mas é impossível. Sinto como se um trator tivesse passado por cima de mim, esmagando-me fisicamente e emocionalmente. Olho ao redor do apartamento e vejo que está tudo vazio. Demi deve estar no apartamento de Joseph. Hoje é sexta e ela sempre dorme lá às sextas. Sigo em direção ao meu quarto e assim que fecho a porta do banheiro atrás de mim, começo tirar minhas roupas, fazendo tudo no automático.
Entro no box e ligo o chuveiro no frio, entrando embaixo dele em seguida. Sinto a água gelada bater em meu corpo dolorido e respiro pesadamente. Escorrego até sentar no chão e abraço minhas pernas, trazendo-as até meu peito. Deixo a dor de meu corpo e de minha alma me atingirem em cheio e desabo. Fecho meus olhos, sentindo as lágrimas quentes que escorrem por meu rosto se misturarem com o gelado da água, liberando toda minhas dor, minha raiva, minha amargura.
Porque tem que acontecer isso comigo novamente? O que eu fiz de tão ruim para merecer isso? Porque eu tenho que ser essa pessoa impura, que os homens me fazem ser? Porquê? Porquê ? Não é justo isso! Quero sumir e esquecer de toda essa merda. Quero minha mãe aqui comigo, como nos velhos tempos. Quero... quero ... Nicholas! Meu Deus, não pensei em Nicholas! Como será que ele vai me olhar quando souber ? Será que vai me rejeitar ? Será que vai ter nojo de mim ? Oh não! Isso não, por favor senhor.. 

{...}

– Selly? - Ouço uma voz masculina me chamar.
Abro os olhos um pouco sonolenta e olhei para um borrão atrás do vidro do box. Apoio a mão na porta e deslizo-a devagar, olhando para um borrão de um homem que parece ser Nicholas, ou pelo menos eu acho. Ele parece preocupado.
– Hm? - Pisco os olhos algumas vezes, pois a água me impede de ver direito.
– Cristo! Selly... - Ele se abaixa e eu vejo-o com mais clareza.... É Nicholas!
O que ele faz aqui ? A quanto tempo estou nesse box ? Será que já é outro dia e eu não percebi ? Forço meus olhos para enxergá-lo melhor e noto que está com o rosto tensionado, mas seus olhos diz tudo... está horrorizado com o que vê. Devo está bem acabada, pois nunca vi Nicholas com os olhos pulando para fora, praticamente. Já o vi de todas as maneiras possíveis, mas não dessa maneira, com essa intensidade no olhar.
– Por que você está sentada aí? Taylor me disse que faz mais de meia hora que você está aí...
– Acho que eu dormi... - Olho atônita, ao meu redor.
– Sai daí...Vai ficar doente. - Diz, entrando no box e desligando o chuveiro. Encolho-me todinha com o frio que aparece de repente, fazendo-me tremer. Olho para cima, me deparando com o olhar de Nicholas. – Vem! - Ele se abaixa e tenta me pegar pelos ombros, mas empurro suas mãos.
– Não pegue em mim! Eu estou suja!
– Selly! - Diz mais horrorizado. – Você não está suja, baby! Vem comigo..
Ele me levanta pelos braços e tenta me abraçar, mas debato, ignorando a dor de meu corpo.
– ME DEIXA! - Grito, enquanto tento me livrar de seus braços. – Não me toque, já disse que estou suja! - Tento mais uma vez me esquivar, mas a dor é mais forte do que eu e acabo desistindo. Caio aos prantos e Nicholas me abraça com força, me puxando de volta para o chão molhado sem se preocupar em molhar sua roupa, sentando-me em seu colo.
– Shhhh... calma, baby! - Ele me aninha em seu peito e cada vez mais os soluços tomam conta de mim. – Você não está suja. Você limpa e pura como sempre você foi para mim. - Me embala levemente em seus braços. – Eu te amo, baby! Estamos nessa juntos e vamos sair dela junto, você vai ver.... Você é forte! - Ele sussurra em meu ouvido e acaricia meus cabelos.
{...}


Não sei direito quanto tempo se passou, só sei que estou totalmente vazia. O choro de antes não existe mais. Não há se quer lágrimas em meu ser, que eu possa derramar. Meu corpo está dormente e pesado.
– Baby, vamos sair daqui antes que você fique doente. - A voz de Nicholas interrompe o silêncio.
Ele espera, mas não respondo. Não consigo emitir qualquer palavra. Minha garganta está seca de tanto que chorei. Então, ele se levanta comigo em seu colo e me leva até o quarto. Me põe de pé ao lado da cama e segue em direção ao closet. Segundos depois volta com uma roupa de dormir e duas toalhas seca. Enrola uma em meu cabelo e com a outra, seca meu corpo com cuidado. Sua mão para abaixo de minha costela e noto que está com o cenho franzido. Sigo seu olhar e vejo uma mancha roxa aonde sua mão está parada. Deve ter sido na hora em que cair da escada. Não digo nada e ele volta com seus movimentos, mas sempre parando ao ver uma mancha.
– Sente-se, baby. - Diz, após me secar e assim eu o faço.
Ele começa a me vestir com as roupas que pegou, lentamente.
Em seguida, tira a toalha de meus cabelos e seca-os com a mesma, logo depois pegar uma escova de cabelo em cima da cômoda. Senta-se atrás de mim, de modo que fico no meio de suas pernas e começa a pentear meus cabelos carinhosamente. Permaneço imóvel, tentando ao máximo não encostar nele. Parecendo perceber isso, Nicholas larga a escova e me abraça por trás, puxando-me para seu peito. Enrijeço meus membros com esse toque, mas relaxo minuciosamente quando ele deposita beijos ternos em minha bochecha.
– Não me rejeite, baby. - Balbucia em meu ouvido.
– Desculpe, eu ... eu ... - Tento encontra palavras pra dizer o que sinto, mas não consigo.
– Eu sei... Shhhh... - Ele diz e acaricia meus braços com suas mãos enormes. Respiro fundo e fecho meus olhos, deixando me levar pelos carinhos de Nicholas, conseguindo relaxar. – Isso! Assim ... - Diz em meu ouvido.
Jogo a cabeça para trás, encostando-a em seu ombro, aproveitando mais e mais dele. Suas mãos sobem e descem pelos meus braços, mas sinto que para ao mesmo tempo em que faço uma careta de dor, quando elas atingem meu pulso.
– Dói ? - Sinto a aflição em sua voz.
– Um pouco. - Respondo baixinho.
– Você tem marcas pelo corpo todo. - Diz. Abro meus olhos para encará-lo e assinto de cabeça.
– Eu imagino que esteja. - Vejo-o fechar os olhos e engolir a raiva que cresce dentro de si.
– Porque você não quis ir ao hospital com Taylor ? - Sua voz soa tranquila, mas sei que está se contendo para não brigar.
– Eu estou bem. Daqui uns dias a dor acaba e as marcas saem.
– Selly, e se você quebrou alguma coisa ? Vamos ao hospital agora! - Tenta se mover para levantar, mas pego suas mãos entre as minhas, fazendo-o parar subitamente.
– Eu não quero que me vejam nesse estado. Eu já passei por isso uma vez e não quero repetir esse episódio. Dá outra vez eu tive que passar por perícia, por delegacia, julgamento, por tudo mais... Não quero isso para mim de novo, Nicholas. Já basta ter que aguentar os olhares daqueles policiais hoje. - Digo friamente.
– Oh, Selly - Ele beija minha têmpora e me abraça mais. – Eu nunca vou me perdoar por isso ter acontecido isso com você e eu não estava aqui. - Sinto a dor emanar de sua voz.
– Você não tem culpa, baby! - Levo uma mão em seu rosto para acariciá-lo e ele a beija. – Aliás, o que você está fazendo aqui ? Não era para vir só na segunda ?
– Eu adiantei todas minhas reuniões para o resto da tarde de ontem e hoje. Queria vir o mais rápido possível. Assim que cheguei eu vim para cá e encontrei Taylor na sala. Estranhei sua presença e então ele me contou tudo sobre o ocorrido.
– Foi por isso que não atendeu minhas ligações ?
– Sim. Eu ouvi sua mensagem de voz. - Ele faz uma breve pausa e suspira. – Me perdoa por não ter lhe respondido, mas é que eram muitas reuniões e eu também estava com raiva. Não queria brigar com você. - Diz arrependido. Viro-me um pouco de lado para olhá-lo.
– Não faça isso de novo. Eu fiquei muito preocupada com você, baby. - Peço.
– Eu sei.. me perdoa, por favor! - Beija-me na ponta do nariz. – Eu sou um imbecil. Deveria ter lhe dado satisfações. Me perdoa ? - Ele suplica.
– Tudo bem, o que importa é que você está aqui comigo. São e salvo. - Digo, olhando em seus olhos cinzas sofridos e acaricio sua bochecha. – Desculpa por ter escondido de você... - Tento contar tudo sobre Linc, mas ele me impede, silenciando-me com um dedo em meus lábios.
– Falaremos disso outro dia. - Diz com a testa franzida. Assinto de cabeça e seus ombros caem, relaxando visivelmente. – Agora deite-se. Vou chamar minha mãe para te examinar. - Diz, me deitando na cama.
– Nicholas, não preci..
– Shhhh.. isso você não irá me impedir de fazer, Selena. - Diz resignado.
Decido por não discutir e me enrolo mais no edredom, sob os olhares de Nicholas. Então ele tira o BlackBerry do bolso e sai do quarto, fechando a porta atrás de si. Olho para o teto e lembro das palavras de auto-ajuda que meu antigo psicólogo falava para mim há anos atrás. Apesar do falatório lá fora, foco meu pensamento em cada palavra encorajadora que foram dita em cada sessão. Eu vou sair dessa, eu sei. Eu sou forte. Eu preciso ser forte!
Depois de um bom tempo refletindo, vejo a porta se abrir e Nicholas, juntamente com Denize adentrar no quarto.
– Oi, querida. - Denize me cumprimenta com um sorriso terno nos lábios.
– Oi. - Tento sorrir de volta, mas não consigo, pois nenhum músculo de meu rosto se move.
Ela se aproxima, parando ao lado da cama, ainda com seu sorriso e coloca sua maleta em cima do criado mudo. Apesar de está vestida toda de branco e com seu jaleco de médica, continua estonteante.
– Então, o Nicholas me falou o que aconteceu. Sinto muito, querida. - Ela afaga meus cabelos ternamente e se abaixa para depositar um beijo em minha testa. – Vamos examinar esses machucados, então ? - Pede com um sorriso encorajador e apesar de querer negar, acabo aceitando.
Me sento na cama e olho para Nicholas. Não quero que ele esteja presente. Me sinto estranha. Como se ouvisse meus pensamentos, ele fecha a cara e cruza os braços na frente do peito.
– Eu não vou sair, Selena. - Diz seriamente.
– Nicholas, é melhor...
– Eu já disse que não vou sair. - Ele interrompe Denize.
Denize e eu suspiramos ao mesmo tempo com a teimosia de Nicholas e isso faz com que eu sorria. Então ela começa a me examinar, sob os olhares atento de Nicholas e a cada vez que Denize examina um ponto dolorido de meu corpo, vejo a dor em seu olhar. Me corta o coração vê-lo desse jeito. Sei que não mentiu quando disse que se sente culpado pelo que aconteceu e me sinto mal por isso. Ele não teve culpa alguma.
– Bem, não houve nenhuma fratura grave, graças a Deus. Só algumas escoriações pelo corpo e uma pequena luxação no pulso esquerdo, mas nada que deva se preocupar. Vou imobilizá-lo e receitarei alguns remédios para a dor. - Denize diz e começa a enfaixar meu pulso.
Vejo Nicholas soltar a respiração. Assim que acaba de me examinar, Denize prescreve a receita e entrega a Nicholas.
– Com licença, vou pedir a Taylor para ir buscar os remédios. - Ele sai, deixando-nos sozinha.
– Então... - Denize se senta na cama e olha diretamente em meus olhos. – Se quiser conversar eu estou aqui, minha linda. - Assinto de cabeça e olho para minhas mãos entrelaçadas em meu colo. – Oh, Selly.. - Ela se aproxima e me abraça apertado, deitando minha cabeça em seu ombro. – Me parte o coração vê-la assim, minha menina. Tenho você como minha filha e me revolto a cada vez que me lembro do que fizeram com você. - Acaricia meus cabelos e deixo me levar por esse carinho materno. Mas uma vez penso em minha mãe. Como eu queria que ela estivesse aqui agora! Minutos depois ela se afasta na distância de um braço e beija minha testa. – Fique bem, moçinha. - Ela sorri ternamente, dá um beijo em minha testa novamente e se levanta quando Nicholas volta para o quarto.
– Meu filho, eu sei que você me pediu para não falar a ninguém, mas eu liguei para o seu pai quando estava saindo do hospital e contei o que houve. Ele disse que vai se inteirar do caso e depois te liga para novas informações. - Denize diz a Nicholas.
– Tudo bem. Eu ia pedir isso a ele. Quero que esse desgraçado apodreça em uma cela. - Nicholas rosna. Denize só olha e suspira.
– Bem, agora eu tenho que ir meus amores. - Ela se pronuncia ao olhar o relógio em seu pulso e pega sua maleta. – Melhoras, minha linda. - Diz para mim e se vira para Nicholas. – E você, cuide bem dela! - Ordena e Nicholas revira os olhos. – E não revire os olhos para sua mãe. - O repreende, fazendo-nos sorrir.
– Tá mãe, eu sei. Eu vou cuida bem da Selly. - Diz e depois de nos beijar, Denize vai embora.
– Está melhor ? - Nicholas senta ao meu lado e pega minhas mãos entre as suas. Assinto de cabeça, enquanto ele distribui beijinhos pelo meu pulso enfaixado. – Que bom. Pedi a Taylor que trouxesse comida também. - Ele para e me fita por um longo tempo. – Ele está revoltado. Nunca o vi assim antes. - Diz com certo cuidado, observando minha reação. Me espanto com o que diz de Taylor.
– Revoltado, porque ?
– Está com raiva por não ter subido antes.
– Ele não tem culpa de nada. - Nicholas não diz nada e continua a me olhar.
– Bem.. - Ele se achega mais, sentando ao meu lado na cama e me abraça de lado. Passo meus braços envolta de sua cintura e deito a cabeça em cima de seu peitoral. – Agora o que importa é que você está aqui e precisa descansar, baby! - Beija minha testa e afaga meu braço.
– Obrigada. - Nicholas vira a cabeça rapidamente para mim, me olhando como seu eu fosse um experimento que não deu certo. – Por tudo. - Completo antes mesmo dele falar algo.
Ele me olha por um longo tempo e abre um sorriso tímido depois.
– Não tem que agradecer, baby! - Beija minha têmpora. – Agora descanse, enquanto o remédio e a comida não chega. - Abro um pequeno sorriso e beijo sua bochecha.
– Ok, senhor mandão. - Me aconchego mais nele, mas logo um barulho estrondoso vindo da sala me chama a atenção. Franzo a testa e olho para Nicholas, que está com a mesma expressão no rosto. Quando penso em abrir a boca para falar algo, a porta do quarto se abre abruptamente e meu corpo gela. Sinto que meu coração sairá pela boca a qualquer momento. Arregalo meus olhos o máximo possível, ao ver um Lincoln super aflito adentrar o quarto e se aproximar de minha cama, parando ao pé da mesma.
– Selena, você está bem ? - Pergunta ofegante.
– O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI. - Nicholas rosna, já se levantando da cama.

Oh Deus! Agora a coisa vai ficar feia. Que Taylor chegue logo dessa vez....



Comentários... :)

Creditos Angel 



Me desculpem florzinha, abandonei vocês.... Desculpa mesmo, to tão corrida e atarefada. Hoje uma gattona me deu um puxão de orelha pelo Whatsapp, então resolvi posta, vou termina essa e depois fic nova chegando. Beijonas.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

XXXVIII - Amor Obscuro

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Acordo com um frio percorrendo minhas costas. Abro meus olhos e noto que estou coberta até a cintura com um lençol, deixando minhas costas expostas e pior ainda: sozinha na cama. Sento e olho ao redor. Cadê Nicholas?
– Nicholas ? - Chamo, mas ninguém responde.
Olho no relógio e vejo que já são 07hrs00 da manhã. Ele já se foi. Embarcou para NY e nem se despediu de mim. Levanto da cama, frustrada, e sigo para o banho. Entro no box e começo a me lavar calmamente, enquanto lembro dos acontecimentos da noite passada. Nicholas, morangos com chocolate, bancada da cozinha ... Oh senhor! Como esse homem é quente. E ainda teve força para fazer amor no tapete da sala até me exaurir de todas as formas, que dormi ali mesmo, sem me importar se alguém nos pegaria nus na sala.
Saio do banho sorridente com as lembranças e sigo para o closet. Como hoje é quinta, não preciso ir socialmente para o trabalho, então opto por uma roupa básica e confortável.
Seco meus cabelos, deixando-o soltos e saio do quarto. Tomo um suco de laranja rápido, assim que chego na cozinha e saio de casa logo em seguida. Entro no meu carro e sigo para a editora, na qual chego quinze minutos depois.
– Bom dia, Claire. - Cumprimento a loira exuberante assim que passo pela recepção.
– Bom dia, Selly. - Ela responde toda sorridente. – Almoço hoje ?
– Claro. - Sorrio e sigo para os elevadores.
Assim que chego em meu andar dou de cara com Tony e com isso, meu sorriso se desfaz.
– Bom dia. - Curmprimento-o formalmente e sigo para minha mesa.
– Bom dia, Selly. - Ele diz atrás de mim e posso sentir o sorriso em sua voz. – Está cada dia mais linda. - Reviro os olhos e viro de frente para ele, ao parar em minha mesa.
– Obrigada. - Coloco minha bolsa no encosto da cadeira e me sento. Ligo meu computador, dando total atenção ao mesmo, esperando que ele entenda o recado, mas ele continua parado no mesmo lugar de antes. Tento me manter calma ao máximo, ao sentir seu olhar cravado em mim. Não gosta do sensação de pré-desespero que me dá.
– Será que hoje podemos almoçar juntos ? - Enfim, ele se pronuncia.
Levanto meu olhar em sua direção e sorrio educadamente.
– Já tenho compromisso.
– Todo dia você tem um compromisso. Será que alguma vez terei vaga na sua lista ? - Sinto o sarcasmo e a raiva mal contida emanar de sua voz.
Espero que nunca tenha alguma hora com você. Penso comigo e sorrio. Olho-o por um longo tempo e decido ser bem franca com ele.
– Desculpa Tony, mas eu não acho que meu namorado irá ficar satisfeito com o fato de sua namorada sair com outro homem, do qual ele desconhece. - Ele franze o cenho levemente.
– Mas você almoça com aquele cara. - Resmunga.
– Ele é amigo dele. - Minto ao lembrar de Linc.
Subitamente, lembro que tenho que me abrir com Nicholas. E assim que ele voltar de NY, serei sincera. Ele merece isso. Ele é sempre tão franco comigo, que me parte o coração cada vez que lembro dessa mentira.
– Quem é seu namorado ? - Pergunta entre os dentes. – É daqui ?
– Não.
– Eu conheço ?
– Não sei. -Começo a mexer no computador, para disfarçar meu nervosismo.
– Quem é ?
– Ninguém importante - Respondo com desdém.
– Nome ?
Oh Deus! Mas que cara mais irritante. Será que ele não percebe que não é de sua conta?! E que não tenho obrigação de dizer-lhe quem eu namoro e com certeza não direi. Não quero me vincular ao de Nicholas e nem a sua fama. E, com toda a certeza do mundo, sei que seu eu falar quem é, os meus dias de paz se acabarão nessa editora. Mas, tenho certeza que Nicholas não ficará nada feliz se eu mentir o nome.
– Olha, me desculpe... mas eu acho que não é um assunto que lhe diz respeito. - Respondo com toda a calma que consigo ter.
Esse cara me tira do sério. Que audácia a dele! Vejo-o respirar fundo e fixar mais o olhar em mim. Tremo com a intensidade da raiva emana deles.
– Nome ?
Respiro fundo e, para minha salvação completa, Jack aparece e me chama até sua sala.
– Com licença. - Sorrio com escárnio para Tony e sigo para a sala.
Pelo vidro da porta, vejo um Tony muito furioso se afastar de minha mesa. Me sento na cadeira de frente para Jack e assim iniciamos nosso dia de trabalho.


{...}

Chega a hora do almoço e Jack me libera do trabalho. Sigo para o elevador e entro assim que as portas se abrem em meu andar. Tony vem em minha direção, mas antes que ele entre, as portas do elevador se fecham. Respiro aliviada e sorrio de sua cara impagável. -Obrigada mais uma vez senhor!– Agradeço mentalmente. Assim que as portas se abrem, vejo Claire parada no meio do saguão. Assim que me vê, levanta os braços como sempre e sorri. Seguimos até a lanchonete do outro lado da rua e logo que entramos no recinto, sentamos em uma mesa vazia ao lado da janela.
– Vai querer o que, Selly?
– Vou querer um hambúrguer, batata-frita e um refrigerante.
– Ok. - Ela se vira e segue para o balcão de atendimento.
Enquanto isso, olho da janela as pessoas apressadas, como sempre, perdida em seus dilemas internos, correndo para que não perca a hora do almoço. Homens vestidos de terno, com a cara fechada fazem me lembrar do meu grandão emburrado. Sorrio com essa comparação. Como será que ele está? E porque ele não me ligou até agora? Será que chegou bem ? Pego o celular e verifico se há alguma ligação, mas não há. Decido enviar uma mensagem, pois não quero incomodá-lo caso ele esteja ocupado. Envio e espero a resposta igual uma boba, olhando para a tela. Merda! Responde Jonas!
– Selena. - Desvio o olhar do BlackBerry e direciono até onde a voz me chamou.
Vejo um Linc sorridente, parado a minha frente.
– Olá, senhor Lincoln. - Cumprimento-o.
– Sem o senhor, já te pedi isso antes. Posso me sentar ? - Olho-o sem graça.
– É que eu estou com uma amiga. - Respondo e sorrio em desculpa.
– Mas essa amiga não liga de ter mais companhia na mesa. - Claire diz ao chegar a mesa e senta em sua cadeira. – Ainda mais um senhor tão bonito. - Brinca, arrancando sorrisos de todos. – Sente-se, por favor. - Pede e Linc se senta. – Eu só não pedi nada para o senhor.
– Tudo bem, assim que vierem trazer seus pedidos eu faço o meu. - Ele pisca para Claire. – Gosto desse lugar. - Diz olhando a sua volta. – Ainda lembro quando Selena me trouxe aqui pela primeira vez. - Diz ternamente.
Abro minha boca para dizer algo, mas o susto que tomo com o vibrar insistente de meu celular em minha mão, me impede de dizer algo. Olho no visor e vejo o nome de Nicholas. Meu sorriso se abre e atendo rapidamente.
– Oi.
– QUE DIABOS VOCÊ ESTÁ FAZENDO COM ESSE FILHO DA PUTA ? - Grita.
Tremo e sinto os olhares em cima de mim. Sei que eles devem ter ouvido os berros de Nicholas. Ruborizo ao pensar nisso e sorrio envergonhada.
– Bom almoço pra você também. - Digo sarcasticamente.
– Eu não estou para brincadeiras, Selena. - Ele rosna.
– Com licença. - Digo aos demais da mesa ao me levantar da mesa. Ando até uma certa distância, onde não possam me ouvir. – Quer parar de gritar ? - Ele permanece calado e bufo. – Baby, assim que você chegar na segunda nós conversaremos, ok ? - Peço calmamente, esperando os gritos a seguir, mas nada acontece. O silêncio toma conta da ligação e olho no visor para ver se ele ainda está do outro lado. Me surpreendo ao saber que sim. – Baby eu ..
– Tudo bem, tchau. - Diz e desliga.
Olho embasbacada para o celular. Como ele pode desligar na minha cara? -Você procurou por isso né, Gomez!– Meu subconsciente me alerta e bufo em frustração. Ele tem toda a razão! Volto para a mesa e me sento no mesmo lugar de antes. Noto que meu pedido já chegou e começo a comer em silêncio.
– Está tudo bem ? - Claire pergunta minutos depois.
Levanto os olhos e vejo um Claire preocupada, juntamente com um Linc carrancudo, me fitando intensamente.
– Sim. - Respondo e sorrio. – Então, do que vocês falavam ? - Pergunto na tentativa de mudar o foco e, como uma deixa, Claire começa a tagarelar.
Olho para Linc e este continua a me olhar. Com certeza não acreditou. Seus olhos dizem isso. Ignoro seu semblante tenro e volto a comer, falando com Claire vagamente.
{...}
Depois do almoço, Claire e eu voltamos ao trabalho. Chega as 05hrs00min da tarde e Jack aparece em minha mesa, me liberando para ir pra casa depois de deixar tudo pronto. Me despeço dele e pego minha bolsa. Sigo para o elevador e dessa vez não tenho a sorte do almoço, pois Tony entra logo em seguida. As portas se fecham e fico nervosa instantaneamente. Me mantenho a maior distância possível e conto mentalmente para me distrair do ataque de pânico, que insiste em me tomar, ao perceber seu olhar lascivo em mim. Solto a respiração, que nem sabia que estava prendo, quando as portas se abrem. Ando apressadamente, praticamente correndo, até meu carro e entro em seguida.
Assim que ligo o carro, olho para frente e vejo Tony parado à uma certa distância do carro, me olhando. Dou partida no carro e sigo para meu apartamento. Chego em meu prédio em menos de dez minutos e rapidamente subo para meu apartamento. Entro e vou direto para meu quarto, me despindo pelo caminho. Relaxo vagamente ao sentir a ducha gelada bater em minhas costas. Depois de um rápido banho gelado, me enrolo na toalha assim que saio do chuveiro e volto para o quarto. Me surpreendo ao encontrar Demi sentada em minha cama, com um olhar ilegível.
– Pensei que estava com Joseph.
– Eu estava na sala quando você entrou euforia. O que houve ? - Pergunta, inquisidora como sempre.
– Nada. - Dou de ombros e vou para o closet.
– Você não me engana, Selena.
Reviro meus olhos e sorrio ao perceber que ela não pode ver. Visto um pijaminha e volto para o quarto, secando os cabelos com a toalha.

– Vamos, Gomez. Estou esperando!
– De quantos meses - Brinco e ela resmunga. – Não houve nada demais. É só que estava morrendo de calor e quis tomar um banho.
– Sei ... E porque ?
– Porque o que ?
– Porque do calor? Nicholas está em NY e lá fora não está tão calor assim. - Deixo meus ombros caírem com suspiro derrotado que dou. Sua tenacidade me irrita ás vezes.
– É que eu subi as escadas correndo, só isso. - Digo exausta e me deito na cama.
– Não vai jantar ? Hoje eu fiz a comida.
– Agora é que não vou jantar mesmo. - Zombo e ela estreita os olhos. Mostro a língua e gargalho de sua cara fechada. – Mas agora falando sério, não estou com fome. Só quero dormir. A noite passada eu dormi tarde e estou morta de sono, sem falar no cansaço.
– E porque dormiu tarde ? Estava sozinha! - Diz com os olhos arregalados e sorrio.
– Não me diga que .. Selena Marie Gomez, explique-se agora! Não me diga que passou a noite inteira se divertindo com um vibrador! - Grita eufórica e ruborizo na hora.
– Não! - Exclamo, morta de vergonha. Pigarreio e tento parecer o mais natural possível. – Que ideia, Demi. Eu não uso essas coisas, aliás.. não tenho um. - Digo resignada.
– Sei ... - Ela ri. – Então porque dormiu tarde ?
– Ai Demi, me deixa dormir! - Resmungo e me cubro até a cabeça.
– Só depois que responder. - Suspiro novamente derrotada. Sei que não está mentindo.
– O Nicholas passou aqui ontem à noite. - Respondo fracamente e ouço seu risinho.
– Agora entendi tudo.
– Agora será que posso dormir ?
– Claro, majestade. - Ouço seus passos pelo assoalho e espero até que ouço a porta se fechar.
Descubro-me e saio da cama. Pego meu BlackBerry na bolsa e procuro alguma ligação de Nicholas, mas não tem nenhuma. Volto para cama e disco seu número. Chama várias vezes e cai na caixa postal. Deixo uma mensagem de voz, na esperança que o escute:

*Eu queria ouvir sua voz antes de dormir, mas pelo visto não vou conseguir obter esse desejo. Sei que está com raiva de mim. Me desculpe, baby. Espero que esteja bem. 
Tenha uma boa noite de sono e não tenha pesadelos. 
Não se esqueça que eu te amo. 
Beijos, sua Selly.*
Desligo e coloco o celular no criado-mudo. Sem muita dificuldade o sono se apossa de mim.

{...}

Acordo de um súbito ao ouvir um barulho estridente. Rapidamente o identifico como o despertador. Coço os olhos para ver a hora. Dou um pulo da cama ao ver que são 6h30min da manhã. Cambaleio até o banheiro, em direção ao box e começo o meu banho. Deixo a água cair por alguns minutos em minha cabeça até que eu me desperte totalmente. Saio do banho assim que me sinto melhor e visto a primeira roupa social que encontro no closet.
Que bom que hoje é sexta e amanhã não preciso trabalhar, pois ando muito aflita Nicholas, com o que ele está pensando, com o que ele irá fazer. Ele não me ligou e nem deixou sequer uma mensagem, depois que descobriu o meu almoço com Linc. E essa falta de notícia me mata. Não saber se ele está bem, se dormiu bem, se acordou bem, se está se alimentando direito. Acho que essa última é a única certeza que tenho, porque conhecendo-o como conheço, sei que ele não parou de comer. Ai, Jonas! Me dê um sinal se não irei enfartar. Meu nível de estresse está nas alturas e trabalhar assim não é nada bom. Hoje irei fazer um grande esforço para me concentrar nas coisas, focar no trabalho e ignorar esse sentimento de ansiedade, nervoso, desespero... como se algo ruim estivesse prestes a acontecer.
Depois de me arrumar, pego meu BlackBerry e disco o número de Nicholas. Outra vez chama, chama e ninguém atende. E outra vez cai na caixa postal, só que dessa vez não deixo nenhum recado. Desligo e jogo o celular dentro da bolsa. Vou para a cozinha e encontro Demi arrumando o café da manhã.
– Bom dia, Gomez. - Ela me cumprimenta sorridente.
– Bom dia, Lovato. - Sorrio de volta.
– Nossa, muito tempo que não te ouço me chamar assim.
– É verdade. - Me sento no banco e debruço-me na bancada. – O que você está fazendo aí ?
– Waffles, quer ? - Franzo a testa. Demi não sabe cozinhar e está fazendo waffles ?! – Você não irá morrer com isso, Gomez. - Revira os olhos e sorrio, mas logo o desfaço ao notar a tristeza em seu olhar.
Tadinha da minha amiga. Coloco-a tanto para baixo e ela não merece. Meu peito se enche de remorso. Me sinto mal por zombar tanto dela. Ela merece um crédito.
– Quero. - Respondo resignada e vejo seu olhos tormar um brilho num instante.
Ela pega o prato com os waffles e coloca a minha frente. Pego um e derramo caramelo por cima. Dou uma mordida e paro um instante para saborear. Estranhamente está gostoso. Volto a mastigar e sorrio.
– Nossa, está uma delícia. - Respondo surpresa, assim que engulo.
– Sério ? - Pergunta esperançosa.
– Sério. Está... estranhamente gostoso. - Ela sorri de minha colocação e volto a comer mais.
– Oba! Estou aprendendo a cozinhar com esse livro aqui. - Diz, apontando para o livro em cima da bancada. – Preciso aprender a cozinhar, já que vou me casar. - Sorrio, assentindo de cabeça.
Depois de cinco waffles e um copo de suco, vou até meu quarto e escovo os dentes. Pego minha bolsa, me despeço de Demi rapidamente, desejando-a um bom dia de trabalho no jornal, e saio de casa. Assim que chego no portão, arregalo meus olhos ao ver Taylor parado ao lado de um SUV. Nicholas está aqui ?
– Bom dia, Taylor. O que faz aqui ? - Pergunto espantada.
– Bom dia, Selena. O senhor Jonas informou que lhe levasse até seu trabalho.
– Como é? E porque? - Pergunto mais espantada ainda.
Taylor só me olha e bufo ao aceitar relutantemente os motivos de Nicholas. -Bobinha! Acho que ele tinha sumido para sempre não é.– Meu subconsciente zomba cruelmente de minha cara. Taylor abre a porta traseira para mim e entro sem pestanejar. Não é com ele que tenho que discutir e sim com Nicholas. Seguimos calados até a SIP. Instantes depois estou entrando no edifício. Cumprimento Claire rapidamente e subo para meu andar.
Assim que as portas do elevador se abrem, corro para minha mesa antes que Tony apareça, mas é inútil já que ele está sentado em minha cadeira. Me pergunto onde está Jack ou Elizabeth, que não vê uma coisa dessas? Assim que me avista, Tony se levanta e me dá passagem. Coloco a bolsa em cima da mesa e afundo em minha cadeira.
– Mas um dia em que está linda. - Ele diz.
– Obrigada Tony, mas eu gostaria muito que você parasse com isso. - Digo, enquanto meu computador inicia.
– Parasse com o quê, por exemplo ?
– Com esses elogios. Desculpe está sendo grossa ou coisa do tipo.
– Tudo bem. - Diz simplesmente, me fitando perdido em seus pensamentos.
Ignoro seu olhar e começo meu trabalho. Minutos se passam e ele continua em seu lugar, me deixando a ponto de explodir. Por fim, ele se vira e some de meu campo de visão. Suspiro aliviada e continuo em meus afazeres, verificando o celular de vez em quando para ver se há algum sinal de Nicholas, mas não há.
{...}
Já são 05:30min da tarde e eu ainda estou presa no trabalho. Infelizmente houve um problema de última hora, no qual Jack e eu tivemos que nos matar o dia inteiro para consertá-lo. Nem tempo para um almoço direito tivemos.
– Selena, vai descansar. Está tarde, querida. - Jack diz ao sair de sua sala. – Merece um bom descanso depois de hoje, menina. - Ele sorri.
– Já estou indo. - Sorrio e assim ele caminha pelo escritório vazio, indo em direção aos elevadores.
Assim que desligo meu computador, meu celular toca. Olho no visor, na esperança que seja Nicholas, mas é Taylor.
– Já estou esperando o elevador, Taylor.- Respondo rindo, antes mesmo dele dizer algo.
– Ok. - Diz e sei que está sorrindo.
Desligo e jogo o celular na bolsa.
– Já está indo ? - Uma voz me assusta e logo identifico de quem é. Levanto a cabeça e vejo Tony, parado à minha frente.
– Estou. - Pego minha bolsa em cima da mesa e ando em direção ao elevadores, mas ele entra em minha frente, impedindo-me. – Será que você pode me dar licença ? - Peço irritada.
Em resposta ele inclina a cabeça para o lado e sorri diabolicamente.
– Oh querida Selena, você não irá a lugar nenhum. - Estremeço com seu tom de voz, rapidamente dando um passo para trás. – Bem, não antes de termos uma conversinha, certo? - Levanta a sobrancelha em questionamento. Engulo em seco e tento parecer o mais tranquila possível.
– Eu não tenho nada para falar com você. - Digo e dou a volta por ele para dar continuidade ao meu caminho, mas ele agarra meu braço bruscamente, virando-me para ele. – Hey, solta o meu braço! - Reclamo e puxo meu braço, mas ele o segura com mais força.
– Não! Primeiro você vai me dar o que eu estou querendo à tempos. - Rosna, me puxando mais para si e agarra meu outro braço. – Ou vai dizer que você não estava me dando mole todo esse tempo? - Começa a beijar a minha orelha, mas me encolho e puxo meus braços, na tentativa de me esquivar dele.
– Me solta, se não eu vou gritar . - Aviso enquanto tento desvencilhar-me dele.
– Pode gritar a vontade, pois ninguém irá te escutar. Estamos sozinho. - Diz roucamente.
Olho assustada para ele e me arrepio toda ao vez o brilho malicioso que há em seu olhar. Sua íris está totalmente escurecida. Eu já vi esse olhar antes! Sinto o pânico crescer em meu interior e em um ato impensado, acerto-lhe uma joelhada nas partes baixa, fazendo-o assim curvar-se e soltar meu braços.
– Ai! Sua vadia! - Ele grita de dor.
Sem pensar duas vezes, viro-me para correr, mas ele agarra minha perna, fazendo com que eu caia no chão. Puxo minha perna, mas ele a segura firmemente apesar da dor. Balanço a perna com mais força para livrar-me dele e sem querer, acabo o acertando com o scarpin no nariz. Ele grita mais uma vez de dor e solta minha perna. Levanto rapidamente, pegando minha bolsa às cegas e corro o mais de pressa possível em direção aos elevadores, ao ver seu rosto contorcido de raiva. Aperto o botão para chamar o elevador, insistentemente e paro quando vejo no visor acima que ele ainda está no térreo. Merda! Vai demorar. Corro em direção as escadas e apresso meus passos ao notar que ele está atrás de mim. Inferno! Será que ele não pára nem com dor?! Abro a porta que dá acesso para as escadas e assim que coloco o pé no primeiro degrau, sinto uma mão em minhas costas me empurrar.Tento me segurar no corrimão, mas não sou rápida o suficiente. Rolo os degraus aleatoriamente, só parando de rolar quando chego ao patamar entre o 10 º e o 9º andar. Levo a mão na cabeça, onde uma dor se instala de repente, e me acosto no chão. Minha visão fica turva e pisco os olhos para enxergar melhor. Mesmo com a visão embaçada, vejo um corpo descer lentamente as escada. Rapidamente lembro de quem se trata e tento me levantar para correr, mas é tarde demais. Sinto um corpo deitar sobre mim, prendendo-me no chão e chamo por socorro.

– SOCORRO! ME AJUDEM. - Grito repetidas vezes e sinto um tapa forte em meu rosto, como resposta.
– Cala a boca, sua vadia. Você vai me pagar por bancar a espertinha. - Rosna.
Revolto-me ao sentir o sangue quente escorrer no canto de minha boca e empurro seu tronco, ignorando a dor de meu pulso. Ele agarra-me pelos pulsos, prendendo-os acima da cabeça e os aperta.
– AAAAAI! - Grito de dor.
– Cala a boca, já disse! - Junta meus pulsos e os prende com uma mão e com a outra desfere outro tapa em meu rosto.
Em seguida, rasga minha blusa com uma fúria tremenda, expondo meu colo e começa a beijar meu pescoço, enquanto me debato incansavelmente debaixo dele, orando e gritando a plenos pulmões, implorando por socorro. Com raiva, mordo fortemente seu ombro, ao vê-lo exposto. Ele grunhi e afasta-se para me encarar.
– Bancando a espertinha novamente, é ? - Sorri diabolicamente, fazendo-me tremer até o último fio de cabelo. Em um movimento rápido, me vira de costas e se debruça sobre mim. – Vamos ver se assim você se mantém quieta. - Ele se levanta um pouco e imprensa uma perna sobre minha coluna. Solta meus pulsos para a levantar minha saia e, aproveitando minhas mãos livres, levo-as para trás, alcançando sua cabeça e a agarro. Na tentativa de liberar-me de suas pernas, arranho seu rosto com as duas mãos, fazendo-o gritar de dor. – FILHA DA PUTA! - Grita e agarra meus cabelos. Puxa-os com força, até eu sentir dor meu couro cabeludo e empurra minha cabeça, fazendo o lado direito do meu rosto bater no chão.
Lágrimas saem de meus olhos e enfraqueço meus membros com a dor que sinto em meu maxilar. Sinto-me desnorteada, entorpecida. Minha visão é só um borrão. Choro e grito ao mesmo tempo por socorro, enquanto Tony continua com seu ataque, beijando a área exposta de minha costas. Ele vira meu corpo mole novamente e se encaixa entre minhas pernas. -Não! De novo não! Que alguém me ajude! Que alguém me ajude!– Peço em uma oração silenciosa....



Comentários... :)

Creditos Angel 




Meninas me desculpem, tive problema com minha conta... Mas ja foi resolvido, voltarei a postar denovo. Desculpa mais uma vez.